Por Luciano Cazz

Quando se fala em tirar a própria vida, a primeira coisa que nos vem à cabeça é uma pessoa tomando uma atitude drástica e definitiva sobre seu próprio corpo. Mas pode existir, ocultamente dentro de nós, uma forma de encerrar nosso tempo aqui neste plano sem que a gente se dê conta: O suicídio inconsciente.

Sigmundo Freud, o fundador da psicanálise, ressaltou os impulsos autodestrutivos da humanidade como fonte de incidentes, os quais, na verdade, foram provocados por uma vontade desapercebida do nosso inconsciente. A máscara para essa tendência contra a própria vida pode ser caracterizada pela frequente escolha de práticas perigosas ou trabalhos que envolvam riscos sem que haja uma clara intenção de se machucar ou morrer.

É claro, porém, que não podemos generalizar. Nem todo mundo que gosta de esportes radicais, por exemplo, tem a intenção inconsciente do suicídio. Entretanto, é possível encontrar esse desejo de deixar a vida em atos falhos, erros ou descuidos que podem colocar a nossa vida em jogo. Dirigir de forma imprudente, atravessar a rua sem olhar para os lados, queimaduras ou cortes acidentais também podem estar correlacionadas com o desejo inconsciente de findar a própria vida. Embora aos nossos olhos pareçam acidentes ou simples equívocos acontecidos sem qualquer planejamento, a natureza desses acontecimentos tem um sentido autodestrutivo.

Um ato cometido por anos e anos que deteriora o nosso corpo leva a um só resultado: o suicídio inconsciente. Como exemplo, podemos citar o uso de substâncias tóxicas, uma alimentação desregulada ou rica em gorduras e excessos que afetam o coração, ainda, atitudes promíscuas que levam a doenças que degeneram nosso organismo nos levando a morte, e, mesmo que a nossa intenção clara seja de aproveitar a vida, segundo Freud, lá no fundo do existe um ímpeto que diz o contrário revelando um cansaço e desgosto de viver ou um sentimento fortemente negativo contra si mesmo. O que significa uma autoestima bem mais prejudicada do que o normal.

Não dar importância para a saúde não significa ser otimista, pelo contrário, é uma atitude de quem pode estar tentando morrer. Mas não confunda negligência com falta de acesso ou atendimento precário. O que Freud aponta são os impulsos autodestrutivos que fazem parte da constituição natural da humanidade e podem variar de acordo com cada pessoa.

Insistir em viver sob sentimentos negativos também pode ser uma cilada do inconsciente, como, por exemplo, viver irritado, o que pode causar problemas no sistema circulatório e até o entupimento de veias do coração. E vira uma combinação perfeita quando se adiciona calmantes que afetam o corpo na busca de uma tranquilidade artificial. Ou na ingestão de remédios extremamente fortes contra a exaltação da melancolia que nos leva a depressão e torna agudas e conscientes as tendências suicidas. O estado mental é determinante para a história do ser humano.

Tanto organicamente quanto espiritualmente, essa postura diante da vida pode antecipar nossa partida desse mundo nos impedindo de completar nossa missão nesse planeta. Chegando no plano espiritual somos recebidos como suicidas mesmo que nos seja difícil aceitar essa condição. E por isso nossa alma é levada a um lugar pesado, escuro, fétido e repleto de sofrimento, onde remoemos nossas dores para depois voltar e completar, de forma mais árdua, a missão que interrompemos com o suicídio inconsciente. E aquilo que hoje faz uma pessoa ter atitudes autodestrutivas até efetivar o atentado contra sua vida, pode voltar na próxima vida potencializado e tornar o fardo de hoje três vezes mais pesado pela lei certa do retorno.

Então, o melhor que fazemos é tomar consciência do nosso comportamento antes de arriscarmos a nossa própria vida, adquirindo responsabilidade sobre o nosso corpo e nossa mente, porque na natureza de Deus, toda ação sempre terá uma reação na mesma medida, pois, como diz um antigo ditado:

“O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória.”

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Sobre o autor

Luciano Cazz é autor do livro “A tempestade depois do arco-íris”. Conheça o livro aqui.

Via Revista Pazes

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*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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