Por Bert Hellinger
“A crítica tem dois lados, um lado amigável e outro hostil. O seu lado amigável é benévolo. Ela quer servir ao outro e à sua causa e olha na mesma direção junto ao outro. Ambos caminham de mãos dadas e estão à serviço da paz. Juntos eles realizam algo, às vezes de forma dolorosa, porém com um olhar aberto.
Um belo exemplo podemos ver quando uma mãe ou um pai mostram a um filho como algo funciona. Eles o permitem de experimentar algo, por exemplo como se dirige uma bicicleta sem cair. Se a criança consegue fazê-lo ambos se alegram, principalmente a criança. Afinal qualquer processo de aprendizagem dá certo de uma maneira benévola.
O outro lado da crítica experimentamos vindo dos assim chamados críticos. O crítico rebaixa uma coisa e aqueles que a representam através da sua crítica. A sua crítica se torna uma arma com a qual ele declara um julgamento sobre outros. Ela serve à uma guerra, muitas vezes com armas bem afiadas.
Mesmo que estas armas estejam direcionadas contra nós, devemos e podemos crescer através delas. Nós e os outros estamos na mesma altura. Se alguém cede, esta pessoa perde. O outro ganhou, pelo menos assim parece.
Porém, muitas vezes aquele que cede deixa o outro cair na própria armadilha, por exemplo ao ignorá-lo. Ao fazer isto ele obriga o crítico a reforçar a sua crítica até que frequentemente, ao afiá-la, ele cava o seu próprio túmulo.
Também existe uma crítica benévola de fora. Por exemplo quando alguém leva ambos os lados a sério e possibilita uma igualdade entre ambos os lados, sem tomar partido por nenhum. Como pessoa de fora ele serve a ambos através de uma observação justa. Ele não possui nenhum objetivo que vai para além dos dois. Esta crítica é sábia e, por fim, altruísta. Ele coloca a crítica no espaço sem tomar partido.
Isto vale principalmente quando se trata de uma crítica sobre uma sociedade estabelecida ou um modo de vida estabelecido. Por exemplo uma religião, ou um modelo de governo como a democracia ou uma dinastia, ou um modelo econômico como o capitalismo ou o comunismo. Esta crítica neutra faz refletir sem tomar um partido. Ela serve ao crescimento interno. Ele deixa ambos os lados aliviados.
A pergunta é: Como é que nós ganhamos esta independência e força interna? Nós a ganhamos através da distância de um lado como do outro, com um olhar que vai para além de ambos. Esta crítica permanece altruísta.”
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