A adolescência é uma fase de formação de identidade. E exatamente por este motivo, muitos jovens sentem-se desorientados frente às novas possibilidades que a vida traz, o que causa inclusive medo diante das novas experiências e descobertas. O medo transforma-se em estresse e tristeza, e quando intensificados, podem gerar ansiedade e depressão. Estes sentimentos precisam ser reduzidos de alguma forma, o que faz com que muitos jovens machuquem a si mesmos, como forma de lidar com a dor. E segundo estudo publicado pelo periódico Adolescent Health, uma nova forma de fazer isto está se tornando mais recorrente: a autodepreciação pela internet.
A técnica da “autodepreciação virtual” consiste em postar comentários pejorativos de forma anônima nas próprias fotos e postagens. A psicóloga infantil Sheryl González em entrevista ao periódico dá um exemplo da situação: “Uma das minhas pacientes adolescentes disse que criou uma conta anônima para fazer cyberbullying com ela mesma pelo fato de ser homossexual, o que fazia ela se sentir vulnerável e exposta”. Segundo a psicóloga, a paciente fez isto porque tinha medo de ser motivo de chacota entre os colegas. Então, quando as pessoas começassem a ofendê-la, ela não se sentiria tão mal, já que ela mesma se ofendia.
De acordo com levantamentos, a maioria dos adolescentes experienciam altos e baixos durante essa fase da vida, porém, 20% deles afirmam que seus sentimentos negativos tornaram-se algo mais sério, culminando em problemas psicológicos. E para lidar com essas dificuldades, aproximadamente 13% dos adolescentes se cortam, queimam-se ou recorrem a métodos alternativos para causar dor a si mesmos.
Essas práticas servem como válvula de escape para lidar com sentimentos como tristeza e ódio a si mesmo, além de fazer com que os jovens ganhem atenção de seu meio social. No estudo, 5.593 estudantes do ensino fundamental e médio, moradores dos Estados Unidos, com idade de 12 a 17 anos, responderam uma série de questionários sobre suas experiências com a auto-depreciação digital e o cyberbullying.
Os questionários resultaram na descoberta que 6% dos jovens que participaram da pesquisa estavam envolvidos em alguma forma de autodepreciação virtual. Mais da metade dos adolescentes também disseram que já realizaram cyberbullying a si mesmos mais de uma vez.
Outros participantes da pesquisa quando questionados sobre os motivos que os levaram a agir dessa forma, responderam coisas como: ?Eu já me sinto mal em relação a quem eu sou, e mereço me sentir pior? e ?eu gostaria de ver quem realmente era meu amigo?.
Causar danos a si mesmo, provoca a sensação nesses jovens que os outros terão maiores motivos para se preocupar com eles. Além disso, a busca em provar que são fortes em situações negativas e a necessidade de receber atenção de um adulto também são frequentemente citadas.
“O mundo online e offline dos adolescentes estão sempre colidindo. Por isso, a autodepreciação digital está se tornando um motivo de preocupação maior entre os jovens, além de estar representando um tema emergente em estudos da área”, diz a professora de psicologia da Universidade de Nebraska, Susan Swearer, em entrevista ao periódico Adolescent Health.
É importante atentar-se às atividades de seu filho na internet, e também fora dela. Esta nova prática autodepreciativa está ligada a baixa autoestima, depressão e ansiedade. Estes problemas causam sérios danos aos jovens, e demandam atenção e carinho dos pais e amigos, além da ajuda de um especialista, que possa identificar as motivações por trás de determinadas atitudes, a fim de solucionar o problema.
Imagem de capa: Steinar Engeland on Unsplash
TEXTO ORIGINAL DE MINHA VIDA
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