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O que quase ninguém conta sobre quem usa Mounjaro — e o que acontece quando se interrompe o tratamento

Mounjaro e outras “canetas” viraram assunto diário porque ajudam muita gente a perder peso — mas tem um detalhe que quase nunca aparece nos posts: o que acontece quando o remédio sai de cena.

E foi justamente isso que a Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou no centro da conversa ao publicar sua primeira diretriz global sobre esses medicamentos no tratamento da obesidade.

A orientação parte de um ponto básico: obesidade é uma doença crônica. Então, faz sentido que o cuidado não seja curto, nem funcione no esquema “usei um tempo e pronto”.

A OMS recomenda que, quando indicado por um profissional, o remédio entre como parte de um plano contínuo, junto com mudanças de rotina que sustentem o resultado.

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Esse plano combinado não é perfumaria. Alimentação ajustada ao dia a dia e atividade física entram como parte do tratamento, não como um “extra” para quem tem força de vontade.

A diretriz também reforça hábitos que costumam ser esquecidos: sono em dia e manejo do estresse, porque eles mexem com apetite, metabolismo e adesão ao tratamento.

Os dados mais chamativos sobre a interrupção do Mounjaro aparecem no SURMOUNT-4, publicado na JAMA. O estudo acompanhou pessoas com obesidade que emagreceram usando tirzepatida (Mounjaro) e, depois, pararam o medicamento.

O que se observou após a suspensão foi um reganho relevante de peso em grande parte dos participantes:

  • 82,5% recuperaram 25% ou mais do peso que tinham perdido;
  • quase metade recuperou 50% ou mais;
  • cerca de 25% voltou 75% dos quilos eliminados;
  • 9% terminaram com peso acima do que tinham no início.

E a volta do peso não veio sozinha. Durante o uso contínuo, muita gente melhora medidas importantes: circunferência abdominal, pressão arterial, LDL (o “colesterol ruim”) e marcadores ligados à glicose (como glicemia de jejum e HbA1c).

Quando o remédio é interrompido, o alerta do estudo é que esses ganhos tendem a andar para trás junto com o reganho — o que significa piora de hipertensão, controle do açúcar no sangue e perfil de colesterol em parte dos pacientes.

A OMS resume isso em duas mensagens diretas: primeiro, tratamento medicamentoso pode ser necessário e costuma ser de longo prazo, com acompanhamento, sem a lógica de “emagreceu e parou”. Segundo, estilo de vida precisa estar no pacote, porque é ele que ajuda a segurar resultado e saúde ao longo do tempo.

Tem ainda um ponto bem prático: acesso. A própria discussão internacional reconhece que, hoje, pouca gente que poderia se beneficiar consegue bancar o tratamento— e ampliar disponibilidade e custo viável virou parte do desafio.

Referências:

  • PMID: 38078870
    PMID: 41284285

Leia também: Você não vai acreditar por quanto as ‘canetas emagrecedoras’ agora estão sendo vendidas no Brasil

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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