Aos 5 anos uma criança já pode ter a autoestima elevada como um adulto, diz estudo

Por Carolyn Gregorie

Crianças de cinco anos leem e escrevem apenas em nível básico, mas seu senso de valor próprio pode ser surpreendentemente sofisticado.

Um estudo novo e provocador sugere que, já aos 5 anos de idade, a criança já pode ter uma autoestima tão elevada quanto a de um adulto.

A pesquisa, publicada na edição de janeiro de 2016 da revista Journal of Experimental Social Psychology, afirma que a maioria das crianças já tem um senso positivo geral a respeito de si mesmas nessa idade – e esse senso se mantém relativamente estável ao longo da vida.

“Um senso rudimentar da autoestima da criança já parece estabelecido aos 5 anos”, disse ao The Huffington Post David Cvencek, pesquisador da Universidade de Washington e autor principal do estudo.

“Isso não significa que ele não possa mudar com as experiências da vida e a maturação. Acreditamos que a autoestima seja maleável, mas também acreditamos que ela comece antes do que se imaginava anteriormente.”

A pesquisa contraria outras teorias psicológicas sobre o desenvolvimento da autoestima durante a infância. Os cientistas acreditavam que crianças em idade pré-escolar eram pequenas demais para desenvolver um senso geral positivo ou negativo a respeito de si mesmas, diz Cvencek.

“Nosso novo trabalho”, disse ele, “mostra que as crianças em idade pré-escolar tem uma boa ideia geral de seu valor como pessoa.”

Em estudos anteriores, os psicólogos dependiam de autoavaliações verbais para medir a autoestima da criança, o que pode ter gerado dados pouco confiáveis dada as habilidades verbais limitadas das crianças.

Para seu estudo, Cvencek e seus amigos criaram um novo teste, chamado Teste de Associação Implícita, para medir os sentimentos positivos das crianças em relação a elas mesmas. Os pesquisadores aplicaram o teste em 234 meninos e meninas de 5 anos de idade do Estado de Washington, nos Estados Unidos.

De maneira análoga aos testes de associação implícita para adultos – que pedem que os participantes associem rapidamente palavras como “eu mesmo” com “agradável” ou “desagradável” –, as crianças tinham de fazer associações com objetos.

Havia vários tipos de bandeiras, que elas tinham de dividir entre “minhas” e “não minhas”. Depois, as crianças completaram uma tarefa de apertar botões que indicavam se palavras “boas” (diversão, feliz, bom, legal) e “más” (mau, ruim, chato) estavam mais associadas com “eu” ou “não eu”.

O resultado disso e de dois outros testes de associação implícita indicaram que as crianças se associavam mais com qualidades boas que ruins.

“Antes acreditávamos que as crianças conheciam algumas de suas características boas”, disse num comunicado Anthony Greenwald, psicólogo da Universidade de Washington.

“Agora entendemos que, além disso, elas têm uma ideia global e geral de seu valor como pessoa.”

O estudo também apontou uma correlação entre alta autoestima e forte identidade de gênero e preferências por membros do seu próprio gênero, sugerindo que a autoestima está ligada a outras partes formadoras da sua personalidade.

Agora que sabemos que a autoestima se forma cedo, como pais e professores podem estimular o senso de valor próprio das crianças?

Conexões afetivas que a criança desenvolve com os outros provavelmente são o fator mais importante, diz Cvencek.

“Crianças que se sentem amadas podem internalizar esse sentimento e amar a si mesmas”, disse ele.

“Nosso trabalho reforça a importância dos primeiros cinco anos como uma fundação para a vida.”

Texto original de Brasil Post

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