COMPORTAMENTO

Às vezes a gente se afasta para refletir; outras vezes, porque já refletiu bastante

Todos sabemos ser praticamente impossível refletirmos com a lucidez necessária, quando estamos protagonizando os momentos de tempestade que assolam as nossas vidas. Faz-se necessário, nesses momentos, o afastamento de tudo aquilo que nos machuca, ou nenhuma solução chegará até nós com a clareza de que então precisaremos.

E, quando as questões problemáticas envolvem diretamente aqueles que amamos, tudo parece mais denso, mais nebuloso, menos passível de ser resolvido. É muito difícil enfrentarmos as nossas próprias escuridões, bem como aquelas em que mergulham os nossos queridos, pois ambas nos deixam à mercê de inseguranças cujo enfrentamento também requer o nosso afastamento.

E esse afastar-se, no caso, não necessariamente implica o distanciamento físico, mas sim emocional. É necessário que tentemos enxergar as dificuldades de fora, como se aquilo tudo não fosse nosso, para que a carga afetiva se torne menos densa e então possamos vislumbrar possíveis saídas ao que parece insolúvel.

Assim também ocorre com os nossos relacionamentos. Quando chegamos a um ponto crítico, em que se acumularam mágoas e ressentimentos, em que nada mais parece ter sentido algum, quando as discussões se repetem exaustivamente, dia após dia, é chegada a hora de se afastar daquilo tudo. Dar um tempo a si mesmo é vital para a recarga de energias e para a reflexão sincera sobre a real necessidade do outro em nossas vidas.

Será necessária muita coragem, tanto para persistir, quanto para desistir de alguém, pois qualquer uma das decisões nos levará ao encontro do inesperado. Caso ainda haja sede de recomeçar, caso ainda reste amor verdadeiro e vontade de mudar, de ambas as partes, vale a pena reaproximar, retomar, perdoar-se e perdoar. Caso contrário, a única saída possível, que garantirá a própria sobrevivência, será não mais retornar.

Qualquer atitude que tomarmos, desde que pensada, repensada, refletida e amparada pelo coração, será a melhor para nós e para quem estiver – ou não mais – caminhando conosco. Não poderemos errar, caso tenhamos tido o tempo necessário para escutar com firmeza e resignação aos anseios de nossa alma, priorizando a nossa busca pela felicidade com que sonhamos, de maneira sincera e ética.

Porque respirar os ares translúcidos das verdades de nossos corações sempre será a melhor forma de levantarmos, de continuarmos, de perseverarmos, após cada tombo, cada dor, cada lágrima pelo caminho.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

Recent Posts

Ataque de pânico: o que fazer na hora? Orientações para quem está sozinho ou acompanhando alguém

Saiba o que fazer durante um ataque de pânico. Orientações para quem está sozinho ou…

2 dias ago

Quando a agressividade infantil deixa de ser “fase”: os sinais precoces que muitos pais ignoram

Esses comportamentos em crianças pequenas podem indicar algo muito mais sério do que birra

2 dias ago

“Não é o que estão pensando”: Sérgio Marone explica declaração sobre ser ecossexual

Sérgio Marone se declara ecossexual e precisa explicar o termo após reação explosiva nas redes

2 dias ago

A ciência do “Blue Mind”: como viajar para a praia ajuda na melhora da saúde mental?

Descubra como esse conceito científico explica os benefícios da praia para a mente humana, promovendo…

2 dias ago

Fenômeno Staycation: por que os paulistanos estão fazendo check-in na própria cidade?

Um novo hábito tem ganhado espaço entre os moradores de São Paulo, que estão descobrindo…

2 dias ago

Revalida vs. Mais Médicos: qual a melhor rota para atuar no Brasil?

Saiba mais sobre os dois tipos de caminhos disponíveis para médicos formados no exterior atuarem…

2 dias ago