Um experimento chamou atenção no fim de junho: ao bloquear uma enzima ligada à inflamação, pesquisadores conseguiram fazer com que células de defesa recuperassem a capacidade de lidar com o colesterol de forma adequada.
O trabalho, liderado pela Universidade do Texas em Arlington, indica um alvo bioquĂmico promissor para futuros remĂ©dios voltados Ă prevenção de doenças cardiovasculares e outras condiçÔes associadas Ă inflamação crĂŽnica.
O foco do estudo Ă© a IDO1 (indoleamina 2,3-dioxigenase 1). Em cenĂĄrios inflamatĂłrios â comuns em infecçÔes, estresse fisiolĂłgico ou lesĂ”es â essa enzima dispara a produção de quinurenina, um metabĂłlito que desorganiza o funcionamento dos macrĂłfagos (cĂ©lulas que, entre vĂĄrias funçÔes, ajudam a âvarrerâ colesterol).
Resultado: piora na captação do lipĂdeo e maior chance de acĂșmulo nos tecidos e vasos. Quando a equipe inibiu a IDO1, os macrĂłfagos voltaram a absorver colesterol e marcadores inflamatĂłrios caĂram, sugerindo restauração do equilĂbrio.
Um detalhe relevante Ă© a participação de outra peça: a Ăłxido nĂtrico sintase (NOS). O trabalho aponta que a NOS amplifica os efeitos danosos da IDO1; por isso, a combinação de estratĂ©gias que bloqueiem ambas pode render benefĂcio adicional. Em tese, isso abriria caminho para terapias âem duas etapasâ contra distĂșrbios de colesterol impulsionados pela inflamação.
O mecanismo por trĂĄs da bagunça no colesterol passa tambĂ©m por receptores especĂficos na superfĂcie dos macrĂłfagos, como o SR-BI, fundamentais para a entrada de colesterol nessas cĂ©lulas.
Em modelos experimentais, a inflamação derruba a expressĂŁo do SR-BI; jĂĄ a inibição/derrubada da IDO1 reduz a inflamação induzida (por LPS ou IFN-Îł), normaliza a quinurenina e restaura a captação de colesterol, apontando uma cadeia causal coerente entre IDO1 â quinurenina â disfunção do macrĂłfago.
O que isso significa na prĂĄtica? Primeiro, trata-se de pesquisa prĂ©-clĂnica: sĂŁo dados de laboratĂłrio, com validaçÔes iniciais, e nĂŁo hĂĄ medicamento aprovado com essa proposta.
Ainda assim, hĂĄ valor clĂnico potencial claro: controlar inflamação para recuperar a homeostase do colesterol pode impactar doenças cardiovasculares, mas tambĂ©m condiçÔes em que o eixo inflamação-lipĂdios pesa (diabetes, alguns quadros oncolĂłgicos, demĂȘncia associada Ă inflamação). Grupos independentes e veĂculos de divulgação cientĂfica tambĂ©m destacaram o achado, reforçando o interesse da comunidade.
PrĂłximos passos citados pelos autores envolvem entender melhor as interaçÔes da IDO1 com vias de transporte de colesterol, testar alvos combinados (IDO1 + NOS) e, futuramente, avaliar segurança e eficĂĄcia em modelos animais e estudos clĂnicos â condição indispensĂĄvel antes de qualquer aplicação terapĂȘutica. O financiamento reportado por NIH e NSF indica suporte institucional para avançar nessas etapas.
Em sĂntese do que jĂĄ se sabe: inflamação desregulada ativa a IDO1, aumenta quinurenina, derruba a captação de colesterol em macrĂłfagos e favorece acĂșmulo; bloquear a IDO1 (e possivelmente a NOS) reverte esse ciclo em laboratĂłrio.
Se os futuros estudos confirmarem segurança e efeito em humanos, teremos um alvo farmacolĂłgico novo para prevenir â e nĂŁo sĂł tratar â as consequĂȘncias do colesterol descontrolado.
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