A relação do corpo humano com o mundo vai além do que é manifestado pelo organismo biológico, sendo marcada pelo desejo e pelas pulsões.

Existem, portanto, o aspecto psicológico que contém representações e afetos presentes em toda queixa e nos sintomas corporais, com conteúdos simbólicos.

Para cada objeto de desejo consciente (comida, bebida, droga, sexo, etc.) existe um objeto de desejo inconsciente. Mais além da fome fisiológica, por exemplo, existe um corpo que demanda, mas que não se sacia.

Podemos pensar que o alimento é fonte de prazer primário do ser humano, associado ao afeto, à segurança e à proteção. O seio materno é o primeiro contato do bebê com o mundo externo. O ato de se alimentar não só aplaca a fome, mas também produz a sensação de prazer e conforto.

O comportamento de comer compulsivo caracteriza-se pela conduta impulsiva frente à comida, na qual o sujeito perde o controle e ingere uma grande quantidade de alimento em um curto tempo, não se satisfazendo. Nesse sentido, o alimento perde seu papel essencial de nutrição e passa a ser um instrumento que alivia a ansiedade e o medo, por exemplo.

Tal comportamento pode consistir em uma forma de resistir às pressões das pulsões e angústias vividas pelo ser humano, levando-o a descontar suas ansiedades e carências na comida.

Como resultado da compulsão alimentar, o corpo obeso pode apresentar inúmeros significados que a pessoa carrega dentro de si, sem dar-se conta disso, como por exemplo: abandono, solidão, incompreensão, raiva, culpa, insegurança, vergonha, etc.

Algumas características comuns daqueles que sofrem deste tipo de transtorno alimentar são: autoestima baixa, carência afetiva, sexualidade reprimida, medo de não ser aceito e reconhecido, intolerância, passividade e submissão.

Nesse sentido, o obeso pode ter dificuldades para distinguir a fome de outros sentimentos, interpretando qualquer mal estar como fome. Logo, come para não pensar, na tentativa de preencher um vazio, havendo grande necessidade de controle externo.

Ao considerarmos a obesidade como uma expressão física de um desajustamento emocional, conjuntamente a um acompanhamento multiprofissional, o processo de psicoterapia pode ser uma oportunidade de o sujeito perder peso, não o peso do corpo (que se perde paralelamente à dieta e exercícios físicos), mas o peso da alma, sendo uma oportunidade de investigação do mundo interno do paciente à procura das suas verdadeiras razões de ser…

Imagem de capa: Viorel Sima/shutterstock

Audrey Vanessa Barbosa

Psicóloga clínica de abordagem psicanalítica na cidade de Limeira-SP; possui Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas pela FCA- UNICAMP; ministra palestras com temáticas voltadas ao desenvolvimento humano. Também possui formação em Administração de Empresas e experiência na área de RH (Recrutamento & Seleção e Treinamento e Desenvolvimento).

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