Dicas de Filmes

Esse filme de suspense mostra até onde alguém pode ir quando perde o controle da própria vida

Existem pessoas que crescem aprendendo que tudo tem fórmula: boas notas, bom comportamento, currículo impecável e pronto, a vida responde com “sim”.

Intenções Cruéis pega essa crença e começa a apertar o parafuso logo na primeira cena, quando fica claro que a protagonista não está exatamente bem, só está funcionando no modo automático.

Não tem cena espalhafatosa de desespero: o que aparece é um controle rígido, quase mecânico, como se qualquer deslize pudesse desabar o que ela passou anos montando.

Leia tambémConfinamento, paranoia e um muro indestrutível: o novo suspense da Netflix que está dando o que falar

Olivia é esse tipo de aluna que nunca dá motivo para comentário. Educada, aplicada, sempre “certa” no jeito de falar e de agir.

Só que uma tragédia recente muda a textura do cotidiano: a morte de uma amiga não vira catarse, vira um silêncio insistente, daqueles que tomam espaço dentro de casa, na escola e até no jeito de sorrir. Ela continua indo bem, continua planejando o futuro, mas agora tudo parece exigir energia dobrada.

Aí vem o golpe que termina de bagunçar o que já estava frágil: a universidade que ela mais queria diz não. E esse “não” tem peso de sentença, porque não mexe só com um plano acadêmico; mexe com a identidade que ela cultivou a vida inteira.

 

O suspense do filme se alimenta desse desconforto: quando a pessoa que sempre se garantiu no desempenho descobre que o mérito não dá conta de tudo, o que sobra para segurar de pé?

Em vez de transformar a queda de Olivia em um evento único, o roteiro estica o processo. Primeiro o luto cria rachaduras, depois a rejeição amplia as fissuras, e o corpo começa a reagir com ataques de pânico.

Não é só ansiedade “do nada”: é como se o organismo finalmente dissesse em voz alta o que ela tenta empurrar para baixo do tapete.

A vida ao redor segue normal, mas o jeito como ela percebe tudo muda — e é aí que o filme ganha força, porque o terror está menos no cenário e mais na cabeça dela.

Sem saber lidar com a sensação de impotência, Olivia passa a buscar uma saída onde existe plateia e resposta instantânea: nas redes sociais. Só que não entra ali para se distrair.

Ela usa o ambiente como ferramenta, quase como um experimento: medir reações, provocar, cutucar, testar limites. Atacar vira um jeito rápido de recuperar a sensação de comando. Se ela não consegue mais vencer “do jeito certo”, tenta dominar pelo impacto.

O interessante é que Intenções Cruéis não simplifica isso como “agora ela virou má”. Olivia não muda de personalidade num estalo; ela vai se desmontando por dentro e encontrando, peça por peça, um novo jeito de se afirmar.

Cada investida vem com um grau a mais de ousadia, como se ela precisasse de doses maiores para sentir o mesmo alívio. E como esse alívio depende do outro reagir, a crueldade vira um vício de confirmação: alguém precisa cair para ela ter certeza de que ainda tem força.

Essa ambivalência é o que sustenta a tensão. Olivia está machucada, mas também machuca. O filme não oferece uma escolha confortável para quem assiste, porque a personagem não se encaixa em caixinhas prontas.

Você percebe a dor, mas também vê as decisões. E justamente por isso o suspense funciona: a ameaça principal não vem de um “monstro”, vem de alguém comum descobrindo que pode ultrapassar limites e, pior, começar a gostar do efeito.

Madelaine Petsch segura essa duplicidade com um controle muito específico. O rosto dela muda de temperatura em segundos: uma expressão pode parecer vulnerável e, logo depois, virar cálculo.

Até o sorriso fica suspeito, porque nem sempre significa alegria; às vezes é só a satisfação de ter acertado o alvo. A atuação trabalha com sinais pequenos, e isso combina com um filme que prefere tensão acumulada a sustos fáceis.

Quando Chloe Bailey entra, o contraste ganha corpo. A personagem dela não é “a inimiga padrão” colocada ali só para brigar. Ela funciona como um espelho que irrita, porque expõe outra forma de existir: mais solta, menos obcecada por aprovação, mais confortável com a própria presença. Olivia não reage porque odeia especificamente aquela garota; ela reage porque se sente colocada em comparação o tempo todo — e comparação, para ela, sempre foi sobrevivência.

O conflito cresce nesse terreno de disputa silenciosa: comentários que parecem inofensivos mas vêm com ponta, respostas que chegam um segundo atrasadas para doer mais, olhares que medem território.

Nada precisa virar barraco para ficar pesado. A tensão aparece no detalhe, no clima, no jeito como uma conversa simples pode virar um teste de poder.

O ponto em que o filme fica mais incômodo é quando Olivia para de resistir ao que está fazendo e começa a aceitar esse lado como escolha prática, quase como solução. Não tem glamour, não tem celebração.

O roteiro observa como alguém exausta de tentar ser impecável decide usar dureza como ferramenta, porque ser “correta” já não trouxe segurança nenhuma.

E aí o suspense aperta de vez: não pelo que ela pode fazer, mas pelo fato de ela passar a acreditar que esse é o único modo de continuar.

Leia tambémVocê vai ficar de queixo caído com as reviravoltas desta minissérie de 6 episódios na Netflix

Compartilhe o post com seus amigos! 😉

Gabriel Pietro

Redator com mais de uma década de experiência.

Recent Posts

Essas profissões concentram mais psicopatas do que você imagina, segundo estudos em psicologia

Você trabalha em uma dessas áreas? A psicologia aponta profissões com mais psicopatas 👀

21 minutos ago

Quase todo mundo passa batido por essas 10 ilusões de ótica — você vai ser diferente?

Essas imagens parecem simples, mas fazem seu cérebro cometer erros absurdos 🤯

11 horas ago

Esse filme da Netflix dura só 95 minutos, mas a sensação de angústia fica muito depois dos créditos

Você não sai ileso: o filme da Netflix que transforma 95 minutos em pura tensão…

11 horas ago

Olhe essa imagem por 2 segundos: a cor que você vê primeiro expõe seu ponto forte dominante

Seu cérebro escolhe uma cor antes das outras — e isso entrega sua principal força…

6 dias ago

Eles marcaram gerações — e poucos sabiam do diagnóstico de demência que mudou suas vidas

Você conhece esses famosos — mas talvez não saiba o que eles enfrentaram fora das…

6 dias ago

Por que as pessoas nascidas nos anos 90 têm vantagens únicas, segundo a psicologia?

A psicologia explica por que quem nasceu nos anos 90 lida melhor com estresse, mudanças…

1 semana ago