Por Fernanda Giocondo
Eu vi que mudei. Não consigo mais acreditar nas pessoas como eu acreditava antes. Tenho medo do amor, de colegas de trabalho e até de bater meu dedinho na quina pela quinta vez consecutiva. Tive muitas dessas decepções que endurecem nosso coração. To cheia de escudos. Não abro mais a porta de casa para qualquer um e não fico por mais de dez minutos na vida de quem usa traumas para justificar tudo. Aprendi que quem quer estar ao meu lado da um jeito, e não desculpas. Quem merece minha amizade dá motivos, e não ausência. Quem merece meu abraço me dá a mão, e não novidades em formas de soco no estômago.
Me sinto diferente. Não tolero mentiras e nem mancadas. Antes eu engolia seco e deixava pra lá. Mas já faz um tempo que tenho saliva suficiente pra cuspir nesses humanos que aparecem por aí. Tenho coragem o suficiente para assumir que nem sempre a culpa é dos outros – E aí cuspo pra cima e sou atingida pela minha própria indignação. Já é tempo de entender que a projeção que a gente faz das coisas ou dos outros é uma responsabilidade nossa, e não deles. A fé que você deposita neles é um problema ou uma dádiva sua. E só.
Alguns dirão que estou com travas. E há os que digam que estou dura demais. Mas, eu abro minha coca-cola gelada, dou um riso de lado e falo: É amadurecimento. É preciso amadurecer para não se machucar nesses tombos da vida. As pessoas irão te usar e te empurrar. E por mais precavido que você (também) esteja, eu sinto em dizer… você também irá cair – “Mas quem sete vezes cai, levanta oito”.
Eu vi que mudei. E é tão bom re-harmonizar tudo outra vez.
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