COMPORTAMENTO

Internet faz você se sentir mais inteligente do que é, diz estudo

Pesquisar qualquer resposta na internet dá a impressão de que sabemos tudo. No entanto, desconectados, somos bem menos inteligentes do que acreditamos. Um estudo liderado pela Universidade Yale, nos Estados Unidos, revela que procurar informações online faz com que as pessoas se sintam mais espertas do que realmente são. A prática é como um estimulador de autoestima, inflando a percepção de quão inteligente somos, de acordo com a pesquisa, publicada esta semana no Journal of Experimental Psychology.

“A internet é um ambiente poderoso, que traz toda informação do mundo para a ponta dos dedos. Por isso é fácil confundir nosso próprio conhecimento com essa fonte externa. Quando as pessoas estão por conta própria, elas podem ser bastante imprecisas sobre quanto sabem e quão dependentes são da internet”, afirma o psicólogo Matthew Fisher, líder do estudo.

 

Autoestima inflada – Para medir a percepção que as pessoas têm de si mesmas quando expostas à internet, um dos focos de pesquisas de Fisher, a equipe de psicólogos fez nove experimentos diferentes com cerca de 1 000 adultos com idade média de 30 anos. Divididos em grupos, alguns precisavam buscar respostas a questões no Google e outros não. Em seguida, avaliavam sua capacidade de responder a outras perguntas, sem relação com as primeiras. Aqueles que procuravam as respostas online avaliaram sua capacidade de respondê-las como muito maior do que o grupo que sem acesso à internet. Isso se repetiu mesmo em questões difíceis, para as quais o Google não apresentava respostas por causa dos filtros usados pelos pesquisadores.

Os participantes conectados também acham que seus cérebros são mais ativos que aqueles sem acesso ao buscador, escolhendo imagens cerebrais de ressonâncias magnéticas com mais atividade como sendo as suas.

“Esses resultados sugerem que os participantes que fazem pesquisas online acreditam que têm mais conhecimento em seu cérebro, em vez de simplesmente pensarem que sabem mais porque têm acesso à internet”, afirma Fisher. “O limite entre o que sabemos e o que não sabemos se tornou muito confuso.”

Memória externa – Junto a pesquisas anteriores, como a publicada na revista Science, em 2011, ou a feita pela Universidade do Colorado, em 2013, o estudo demonstra que as informações online criam o que os cientistas chamam de memória transativa, ou seja, fazem com que as pessoas percebam parte de sua memória como se ela estivesse contida em uma fonte externa e coletiva, que poderia sempre estar acessível. De acordo com os pesquisadores de Yale, esse é um dos efeitos inesperados da internet, e pode ser ainda maior em crianças que cresceram com essa ferramenta – e talvez tenham mais dificuldades em medir o próprio conhecimento ou tomar decisões difíceis.

“Em situações em que as escolhas têm grandes consequências é importante distinguir o próprio conhecimento e não assumir saber algo que, no fundo, não se sabe. O conhecimento pessoal é algo difícil de conseguir e a internet pode estar tornando essa tarefa ainda mais dura”, diz Fisher.

TEXTO ORIGINAL DE VEJA

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