Dicas de Filmes

O drama sul-africano no streaming que está fazendo muita gente repensar amor, velhice e despedidas

Tem filme que chega sem fazer alarde e, quando você vê, está mexendo com assuntos que a gente costuma empurrar pra depois: envelhecer, perder, ficar… e continuar amando mesmo assim.

“Um Tipo de Loucura” (2025) pega um casal que, lá na frente, acaba tendo basicamente um ao outro como “plano A, B e C” — e usa essa relação pra cutucar as certezas que vendem por aí sobre casamento perfeito, carreira como escudo e até a ideia de que amor resolve tudo sozinho.

A direção de Christiaan Olwagen, com roteiro assinado por ele ao lado de Wessel Pretorius, foge do caminho fácil.

Leia tambémO thriller de Scorsese que dividiu a crítica — mas levou 60 milhões às salas de cinema e agora está no streaming

Em vez de apertar o botão do choro, o filme trabalha com sensações misturadas: tem hora que alivia, tem hora que dá incômodo, e muitas cenas te fazem rir meio sem saber se “pode”. É justamente esse desequilíbrio controlado que faz a história bater forte.

No centro está o encontro de Elna (Ellie) e Daniel (Dan), ainda crianças, numa praia da Baía de Walker.

Só que o “primeiro contato” deles não tem clima romântico bonitinho: Ellie vive obcecada pela sensação de limite depois de quase se afogar, e Dan aparece no meio disso — atrapalhando o que ela acredita ser uma espécie de acerto de contas com a própria vida.

A partir daí, os dois grudam de um jeito que o filme vai explicando aos poucos, como se a conexão deles fosse uma coisa teimosa, difícil de romper.

A narrativa vai e volta no tempo, abrindo espaço para mostrar como aquele começo estranho vira convivência, parceria e família — e como nem isso impede que o chão suma.

Em determinado ponto, a história troca a energia de juventude por um cenário mais duro: Ellie está internada num manicômio, e o filme passa a tratar saúde mental sem maquiagem e sem discurso pronto.

Dan, claro, não consegue seguir “como se nada estivesse acontecendo”. Ele atravessa regras, invade o hospício e decide tirá-la de lá do jeito dele — o que coloca os dois numa fuga atrapalhada, quase impulsiva, dentro de uma Ford Taunus amarela.

A partir desse momento, o longa deixa claro que está menos interessado em “dar lição” e mais em mostrar o que o amor vira quando a realidade aperta e ninguém tem manual.

Nessa escapada, uma cena simples diz muito: Dan para para abastecer e, quando olha de novo, Ellie sumiu. Ela reaparece em um brechó, encantada com um vestido de noiva usado — como se aquele tecido segurasse uma vida que ela queria ter vivido de outro jeito.

O filme entra na cabeça dela sem pedir licença e flerta com um humor esquisito, às vezes quase absurdo, para falar de identidade, desejo e daquilo que a gente inventa para suportar os dias ruins.

O elenco segura esse tom instável com firmeza. Sandra Prinsloo constrói Ellie como alguém cheia de camadas — divertida, intensa, quebrada, luminosa — sempre em busca do que considera realmente valioso, mesmo que nem tudo ali seja “pé no chão”.

E Ian Roberts dá a Dan o tipo de presença que não precisa explicar muito: ele está ali, insistindo, errando e tentando de novo, como quem sabe que amar também é aguentar o desconforto de não ter controle.

Leia tambémSuspense gravado em apenas 4 dias explode na Netflix e bate 50 milhões de espectadores logo na estreia

Compartilhe o post com seus amigos! 😉

Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

Recent Posts

Você arruma a cadeira ao sair? A psicologia explica o que esse gesto diz sobre você

Arrumar a cadeira é só educação? A psicologia vê algo além nesse hábito

23 minutos ago

Sempre de cabelo preso? A razão psicológica por trás desse hábito é mais profunda do que parece

Se você só usa cabelo preso, talvez exista um motivo psicológico que nunca percebeu

33 minutos ago

Faltam quantos episódios para o final de Bridgerton? Parte 2 estreia essa semana; veja o trailer

Faltam poucos episódios para o fim de Bridgerton — e a Parte 2 estreia já…

6 horas ago

A série que mostra como um romance apaixonado se transforma em 8 anos de manipulação e mentiras

Eles se apaixonam na faculdade — e passam 8 anos presos a uma relação tóxica…

7 horas ago

Estudo revelador mostra quais cargos os narcisistas e psicopatas mais ocupam – será que você trabalha com um deles?

Narcisistas ganham mais e viram chefes com mais frequência? Veja o que diz a ciência

13 horas ago