Pais e Filhos

O Valor das Coisas, o vídeo de Marcos Piangers que todos os pais deveriam ver.

Os olhinhos da minha filha de quatro anos brilhavam enquanto ela segurava uma caixa grande de cor roxa onde lia-se “Doutora Brinquedos”. Um estetoscópio falso, uma maletinha falsa, um termômetro falso, uma bomba de medir pressão sanguínea falsa por exorbitantes R$ 89,90. “Compra, pai?”.

As crianças não nascem sabendo o valor das coisas. Elas sabem apenas que querem tudo aquilo que seja novo e brilhante e que tenha aparecido na televisão ou que tenham visto na casa dos amiguinhos. Pra comprar um amontoado de plástico por R$ 89,90 eu precisei trabalhar, responder e-mails às 3h da manhã, eu precisei viajar e ficar longe de você, minha filha.

As crianças não sabem de nada disso, e eu tenho certeza que, se soubessem, não pediriam nada muito caro. Um amigo meu, esses dias, perguntou ao filho o que gostaria de ganhar de aniversário. “Qualquer coisa, pai?”, perguntou o filho. “Qualquer coisa, filho”. Meu amigo trabalhava como um condenado e isto fez dele um homem muito rico. “Então, eu quero um dia inteiro com você, pai”. O pedido de presente mais especial na vida daquele pai.

Vivemos a vida como se vive uma gincana, pagando contas, conhecendo pessoas, organizando a agenda, levando filho pra escola, ligando pra sogra pra ver se ela pode ajudar, colocando desenho na televisão, fica com o tablet agora pro papai poder trabalhar, papai trouxe um presente pra você da viagem. A gente diz que tem que ser assim, um dia você vai entender, e a criança entende o recado. É assim que é a vida. A criança não nasce sabendo o valor das coisas, a gente ensina o valor das coisas pra ela.

“Filha”, disse eu naquela tarde, “deixa essa caixinha aí e vamos continuar caminhando. Vai que a gente encontra alguma coisa mais legal?”. Dez metros à frente, uma loja vendia adesivos de borboletas brilhantes por cinquenta centavos. Foi o presente mais fantástico em meses: aqueles adesivos enfeitaram unhas, espelhos do banheiro, painel do carro. As borboletas tinham nomes, me acompanhavam coladas na minha roupa, de vez em quando ainda encontro algumas no bolso da calça. As crianças não nascem sabendo o valor das coisas. Os adultos também não.

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