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Pessoas religiosas são mais felizes que as demais?

O que faz as pessoas felizes? Essa questão pode ser difícil de responder. Felicidade vem sendo discutida por toda a história. Filósofos, pensadores e ativistas, como Aristóteles, Jean Jacques Rousseau, Jeremy Benthan e Bertrand Russel, tem considerado a felicidade e a satisfação de viver como um dos objetivos principais da motivação humana.

Mas felicidade e satisfação de viver podem ser difíceis de definir. Enquanto os dois fazem parte do bem-estar pessoal, felicidade se refere às emoções individuais, sentimentos e humores. Satisfação de viver, por outro lado, tem mais a ver com a forma que a pessoa pensa sobre a própria vida como um todo – incluindo seus relacionamentos.

Estudos anteriores sugerem que a “pessoa feliz” é jovem, saudável, bem educada, bem paga, otimista e extrovertida. A mesma pesquisa concluiu que as pessoas mais felizes tendem a ser religiosas, casadas, com grande auto-estima e moral de trabalho, e aspirações modestas. Isso indica que o seu gênero e nível de inteligência não necessariamente vem ao caso.

Uma pesquisa sugere que, ao redor do mundo, 84% das pessoas pertencem ou estão conectadas a algum grupo religioso. E nossa pesquisa recente observa se diferentes religiões experimentam diferentes níveis de felicidade e satisfação na vida. Os resultados mostram que a religiosidade individual e o nível de desenvolvimento do país afetam ambos a felicidade das pessoas e a satisfação com suas vidas.

Estudo da felicidade

Nosso estudo olha para um grande número de diferentes regiões por cem países – de 1981 a 2014 – usando dados da Pesquisa Mundial de Valores.

Nossas resultados sugerem que Protestantes, Budistas e Católicos Romanos são mais felizes e satisfeitos com suas vidas, comparados com outros grupos. Judeus, Hindus, Muçulmanos e os não-religiosos estão no meio termo, enquanto Cristãos Ortodoxos apresentam os níveis mais baixos de felicidade e satisfação com suas vidas.

Em nossa pesquisa, nós encontramos que muitos fatores estão positivamente associados com felicidade e satisfação com a vida. Isso inclui ser protestante, mulher, casada, jovem (entre 16 e 24 anos). A situação financeira de casa também influencia, assim como o estado de saúde da pessoas e a liberdade de escolha.

Nós descobrimos que o orgulho e confiança na nação são termos importantes nos rankings de felicidade, assim como ter amigos, família, e tempo de lazer. Atender semanalmente a prática religiosa também foi descoberto como fator importante. Por outro lado, ser desempregado e ter baixa renda foi negativamente associado à felicidade e satisfação.

Um olhar mais próximo da magnitude da associação entre esses fatores e a felicidade e satisfação de viver revela que a saúde, estabilidade financeira e liberdade de escolha, ou controle sobre a própria vida, como fatores importantes. Mas mais pesquisas são necessárias para entender por que alguns grupos religiosos são mais felizes e satisfeitos que os outros.

Objetivo global

Em anos recentes, o interesse em pesquisar o bem-estar surgiu – com economistas, como o vencedor do Nobel Joseph Stiglitz concordando que é hora de mudar a ênfase na medida da produção econômica, para medir a felicidade e satisfação pessoal das pessoas.

Mas fazer da felicidade humana um guia geral para o progresso humano requerem boas informações a respeito da qualidade da vida humana – e isso é algo que infelizmente anda faltando na maioria dos países.

Enquanto isso, talvez valha a pena para indivíduos e governos se engajarem em uma psicologia positiva. Um novo estudo mostra que escolas que ensinam psicologia positiva melhora radicalmente a felicidade de seus pupilos em países tão variados quanto Peru, China, Butão e Austrália.

Fica claro que, enquanto a felicidade pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes, existem princípios de união fundamentais que nos tornam mais propensos a sentir felizes ou infelizes. Nossos resultados sugerem que, melhorando o acesso ao sistema de saúde e apoiando as necessidades financeiras básicas, governos podem fazer muito para ajudar a impulsionar o bem-estar das pessoas e a satisfação com a própria vida.

Esta é uma tradução da Revista Galileu do texto Extreme stress during childhood can hurt social learning for years to come de The Conversation

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