COMPORTAMENTO

Posso estar sorrindo por fora, mas vivendo uma profunda tristeza por dentro

É comum que uma pessoa que sofre com depressão passe despercebida aos olhos deaqueles que a rodeiam. Isso acontece porque muitos acreditam que os sintomas da depressão não são difíceis de serem identificados, uma vez que, por associar a doença à tristeza, concluem que ela é visível no rosto da pessoa.

Entretanto é preciso lembrar que há muitos aspectos da nossa personalidade que ficam escondidos atrás de uma expressão facial de tranquilidade ou alegria, por exemplo. Estar com depressão não quer dizer necessariamente estar triste. A doença pode se instalar devagar, silenciosamente, através de mágoas mal diluídas, perdas não elaboradas, pressão diária das próprias responsabilidades, reduzindo pouco a pouco o interesse ou prazer em atividades antes prazerosas, diminuindo a autoestima da pessoa. Por isso, associar a depressão apenas à tristeza dificulta a sua identificação.

Os sintomas da depressão podem manifestar-se através de alguns comportamentos que são típicos de algumas etapas do desenvolvimento humano, confundindo os familiares por considerarem que os mesmos são naturais da fase que se apresenta. A adolescência, por exemplo, período marcado por grandes transformações, pode mascarar uma depressão. Irritabilidade, agitação, insegurança, dificuldades de relacionamento em casa ou na escola, podem ser vistos apenas como modos de conduta desta faixa etária, piorando o quadro.

Na fase adulta, a diminuição da energia e o desânimo, por um período prolongado de tempo, podem ser traduzidos como preguiça ou cansaço, resultado do excesso de trabalho da pessoa, deixando, assim, de avaliar outros sintomas importantes para o diagnóstico da depressão.

A velhice também é possível apresentar comportamentos que podem camuflar a depressão. A redução da capacidade de concentração e memória podem ser associados à características das alterações cognitivas, comuns a esta etapa da vida, e o isolamento pode ser interpretado como resultado da alteração da rotina, pois é completamente diferente de quando o idoso tinha ocupação.

Na infância também a depressão pode apresentar-se de diversas maneiras através de queixas físicas, irritação sem motivo aparente, falta de apetite, problemas no desempenho escolar ou social, dentre outros sintomas. Como nem sempre tais sintomas são claros, muitas vezes a família considera alguns comportamentos como birra.

Apesar das manifestações serem específicas a cada fase do desenvolvimento, é importante ressaltar que não necessariamente a depressão ocorrerá nas faixas etárias descritas. Além do mais, é preciso uma avaliação detalhada dos sintomas para concluir o diagnóstico diferencial.

Não é fácil encarar a depressão, portanto, não é uma tarefa para ser cumprida sozinho. É fundamental o apoio de familiares e amigos nesse processo de superação, além de tratamento medicamentoso e psicoterapia.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações do texto escrito por Joselene L. Alvim para o Psicoblog/G1- Presidente Prudente
Foto destacada: Reprodução.

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