Quando choramos há um transbordamento de emoções e isso pode acontecer por vários motivos. Podemos chorar de alegria por um sonho realizado, chorar de alívio quando passamos por uma situação difícil, chorar de dor, seja ela física ou emocional, chorar quando pedimos ou recebemos ajuda, chorar de tristeza… Seja qual for o motivo, e às vezes nem sabemos qual é, o choro fala de algo que está transbordando em nós. É natural da espécie humana e existe há muito tempo, segundo o oftalmologista Juan Murube Del Castillo, da Universidade de Alcalá, em Madri, a hipótese mais plausível, é que o choro tenha surgido antes da linguagem falada, como uma expressão mímica para comunicar dor. Concluímos então que o choro surgiu com a função de comunicar e até hoje comunica, quando alguém está chorando sabemos automaticamente que algo saiu do controle e tendemos a dar mais atenção a isso. Se estamos andando na rua e alguém passa por nós chorando provavelmente não passará despercebido, chamará nossa atenção.

O choro também muitas vezes incomoda, principalmente quando está relacionado a tristeza, perda, morte, separação, depressão. É comum nos afligirmos com o choro, tanto quando nós choramos, principalmente em público, quanto quando presenciamos o choro de alguém, pois podemos não saber lidar com isso. Mas, se o choro existe há tanto tempo entre nós, porque o estranhamos?

Choro e vulnerabilidade

O choro muitas vezes é interpretado como uma demonstração de vulnerabilidade. Quando alguém chora se sente exposto na sua fragilidade, por isso muitas vezes as pessoas preferem buscar um lugar para chorar sozinhas. Outro ponto é a reação exagerada que o choro provoca nas pessoas em volta. Quem está chorando muitas vezes não quer causar toda essa reação, só busca expressar sua emoção com tranquilidade. Muitas vezes recebo no consultório pessoas que querem o seu momento de chorar e aproveitam o espaço da psicoterapia para isso, pois não se sentem a vontade para chorar em outros lugares ou com outras pessoas, mesmo que sejam amigos ou familiares.

Poder chorar é muito terapêutico. Quando encontramos espaço e compreensão no outro para esse momento importante, sem causar alarde ou julgamentos, isso gera um grande conforto e alívio, a pessoa sensibilizada pode pensar melhor e seguir mais tranquila depois de um momento assim. Ás vezes só de poder chorar um pouco  e colocar para fora as emoções represadas, a pessoa recupera o bem-estar.

No entanto o que acontece é que cada vez damos menos espaço para a expressão sincera das emoções. Quando alguém chora perto de nós o que geralmente dizemos? “Para com isso! Você é forte! Não pensa nisso! Limpa esse rosto! Logo isso passa! ”  Sem percebermos estamos a todo momento negando o choro e o sofrimento do outro e com isso não legitimamos o sentimento, não permitimos que algo natural em nós encontre espaço na vida. E porque fazemos isso? Porque temos medo, medo de algo sair do controle, medo do que pode vir com o choro e o sofrimento do outro, medo do nosso próprio choro e sofrimento. O que muitos de nós não sabemos é que as emoções encontram espaço para se expressar quer a gente dê permissão ou não. Isso significa que se eu “engulo o choro” em um momento, em outro momento essa emoção vai buscar uma forma de aparecer, seja numa dor de garganta ou na agressividade com alguém próximo. Achamos que ao evitarmos o choro estamos evitando a emoção, mas não é assim que funciona.

Como podemos mudar isso?

O choro quando é apenas uma forma de conseguir atenção e para que o outro resolva o nosso problema é, sem dúvida, um comportamento imaturo. Quando crescemos desenvolvemos recursos mais eficientes para lidar com as dificuldades e é importante que isso aconteça, pois demonstra amadurecimento e melhora a qualidade de vida. Porém, todos nós somos afetados por emoções, independentemente da idade, e é natural que algumas vezes as emoções nos tome por completo levando-nos às lágrimas. Quando isso acontecer com você lembre-se que o choro é uma reação natural e que ajuda na liberação da tensão emocional. Se permita também olhar para essa emoção, perceber o que está por trás dela, busque uma forma de expressá-la sem se auto punir por isso.

Sem alguém chorar perto de você, ofereça o ombro, um lencinho de papel, um olhar compreensivo, um abraço. Escute, espere, reconheça e, se for necessário, diga “pode chorar, eu entendo” ou ” estou aqui com você, fique a vontade pra deixar vir o que quiser” . Essa é uma ação que, além de bela, é extremamente terapêutica e que colabora com um mundo mais tolerante com as emoções, seja elas quais forem. Não somos tão racionais quanto pensamos, somos movidos pela emoção e buscamos por isso. Deixar que as emoções transpareçam em nós é sermos mais tolerantes e humanos conosco e com o mundo.

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Orientação Junguiana. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com
Referências: Matéria “Porque choramos?” publicada na Revista Super interessante. Link: http://super.abril.com.br/comportamento/por-que-choramos
Marcela Pimenta Pavan

Marcela Pavan é Psicóloga Clínica. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Experiência em questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, carreira, envelhecimento, entre outras. Site de atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br

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