Curiosidades

Remédio? Não na Suécia: país vira notícia ao indicar viagens como tratamento para exaustão

Enquanto o mundo tenta empurrar o cansaço para debaixo do tapete com comprimidos, energéticos e “remedinho pra aguentar o dia”, a Suécia resolveu cutucar a ferida com uma pergunta incômoda: e se o problema não estiver só dentro da cabeça, mas também ao redor dela?

Em vez de aumentar dose de tarja preta, o país está colocando na mesa uma alternativa bem diferente: prescrever viagem como parte do cuidado com a saúde mental.

A ideia ganhou forma em uma iniciativa chamada The Swedish Prescription, criada pelo órgão oficial de turismo da Suécia em parceria com médicos e pesquisadores.

Vídeo de campanha do governo.

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O conceito é simples: pacientes do mundo inteiro podem baixar um modelo de “encaminhamento médico” e levar ao seu doutor, abrindo a conversa sobre incluir uma temporada na Suécia como apoio no tratamento de estresse, esgotamento e sintomas depressivos.

Lá, o foco é trocar comprimidos por experiências: caminhada em florestas, banhos de sauna, mergulhos gelados, contato com arte, cultura e encontros sociais – tudo baseado em estudos que mostram como natureza e convívio ajudam a reduzir ansiedade, melhorar o sono e regular o humor.

Isso não saiu da cabeça de um marqueteiro inspirado numa segunda-feira de ressaca.

Vídeo de campanha do governo.

Pesquisas revisadas por especialistas de instituições como o Karolinska Institutet, em Estocolmo, sustentam que atividades bem simples – andar em meio a árvores, respirar ar limpo, mergulhar em lagos frios, participar de eventos culturais ou sentar para um café demorado com outras pessoas – têm efeito mensurável sobre pressão arterial, níveis de cortisol, qualidade do sono e sensação de bem-estar.

É a mesma lógica das chamadas “prescrições verdes” e “prescrições sociais”, que já vêm sendo testadas em alguns sistemas de saúde: em vez de só aumentar remédio, o médico orienta o paciente a voltar a ter vida ao ar livre, vínculos e rotina minimamente saudável.

Na prática, a Suécia está usando suas próprias características como “tratamento”: florestas acessíveis a qualquer pessoa, lagos limpos, direito de circular livremente na natureza (allemansrätten), cidades com ar relativamente menos poluído e uma cultura que valoriza pausas como o famoso fika – aquele café com bolo sem pressa, que funciona quase como um lembrete oficial de que trabalhar sem parar cobra um preço alto.

Vídeo de campanha do governo.

A prescrição pode incluir desde “banho de floresta” para baixar o nível de estresse até dormir sob um céu estrelado em ilhas do arquipélago para ajudar a regular o relógio biológico.

O ponto central é simples e, ao mesmo tempo, óbvio: quando o corpo acorda todo dia no mesmo quarto, encara o mesmo trajeto, as mesmas telas, os mesmos barulhos e a mesma pressão, a mente entra em modo automático.

Trocar de cenário quebra esse piloto automático. Um ambiente diferente muda o ritmo do corpo, oferece estímulos novos para o cérebro e abre espaço para que pensamentos que estavam espremidos entre prazos e notificações encontrem passagem.

Não se trata de “tirar férias mágicas e voltar com a vida resolvida”, e sim de criar uma pausa concreta para reorganizar o que anda embolado por dentro – com ajuda de ar frio, paisagens silenciosas e rotinas mais gentis.

Por isso, quando se fala em “viajar sob prescrição”, a proposta não é fugir dos problemas, e sim suspender, por um tempo, o ruído que deixa tudo mais pesado.

É dar à mente um lugar onde ela consiga, enfim, respirar de novo, sem tanta interferência.

Enquanto boa parte do mundo segue tratando exaustão como defeito individual corrigido à base de comprimido, a Suécia está mandando um recado bastante claro: às vezes, o remédio começa quando você muda o chão onde pisa.

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Fontes: The European Magazine | Swedcham

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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