A autopercepção parece uma busca de quase todos os indivíduos, contudo, até onde de fato construímos alicerces para alcançá-la?
Criamos nossos mecanismos de defesas, formas de lidar com nossos obstáculos diários, e assim sorrateiramente protegemo-nos de possíveis sofrimentos. Ainda, nos revestimos de máscaras cotidianas, não indo além da consciência pura e simples. Se acomodar com o estilo de vida já delineado é uma das formas de evitar o desgaste do possível desgosto com o novo, já que o conforto nos auxilia a não viver angústias, mesmo quando a situação não é a que gostaríamos.
A ordem é não enfrentar as particularidades dos nossos defeitos, não ter perdas significativas e se afastar de possíveis sombras que nos acompanham. O comodismo se instala e por vezes, visualizamos indivíduos que reclamam do resultado que tiveram de suas próprias escolhas ao longo da vida. Se a gente acreditar não ser capaz de lidar com o próprio descobrimento, viveremos a margem do que poderíamos ter sido e assim, não iremos além do superficial. Sem algum tipo de dor não há mudança que se estabeleça.
Os insigths (estalos de consciência) são instrumentos dessa busca de autoconhecimento. Muitos deles acontecem no setting terapêutico e ajudam os indivíduos no despertar mental. Alguns insigths podem ter viés positivo e reconfortante, outros uma carga de tristeza, porém, ambos são esclarecedores para o indivíduo, tendo assim a importância na possível modificação de alguns comportamentos mal adaptados.
O conhecer a si mesmo esclarece as motivações de determinadas escolhas, iluminam pontos de vista dogmáticos e nos auxiliam em próximas decisões. A consciência pode ser o início de uma mudança cognitiva e comportamental contínua. O medo e o sofrimento fazem parte do processo complexo de entender um pouco mais das nuances da alma, mas nem sempre estamos preparados para essa imersão profunda. Sim, uma vida superficial é confortável, mas se conhecer melhor, ainda parece ser o caminho para uma vida mais plena e feliz.
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