O fim do ano trás sempre uma oportunidade de avaliação pessoal, de reflexão sobre a existência. De fazer um balanço geral dos erros e acertos, das vitórias e fracassos e das perdas que tivemos. Ano após ano, mesmo em meio a tanta agitação e correrias próprias desta época, muitas pessoas angustiam-se, quando percebem que o ano correu rápido demais e chegam perplexos ao desconhecido ano novo que está à sua frente.

O que aconteceu no ano que terminou foi real, existiu, mas ficou no passado. Tudo o que fizemos ou deixamos de fazer ficou para trás, assim como todas as lembranças, boas ou amargas. Tudo é passado, tendo ou não deixado marcas e sequelas. O que agora é, também já foi.

O passado é, então, irreversível. Não volta, não muda, não há como recuar. A palavra proferida, nossas atitudes e ações, tudo que vivemos de bem ou mal permanecerão imutáveis. Nenhuma influência será capaz de reverter e transformar o que ficou para trás. Por isso, é também indestrutível. Não se apaga, nem se desfaz. Não podemos corrigi-lo ou refazê-lo. Ele permanecerá firme e inalterável.

O passado é também intransferível, porque a responsabilidade pelas nossas ações é pessoal. Não podemos colocar sobre o outro a responsabilidade por aquilo que fizemos ou deixamos de fazer, pela possibilidade que não se realizou, ou pelas escolhas que depois percebemos que foram mal feitas, nem pelas decisões que se mostraram equivocadas.

Mas o passado é também o nosso patrimônio. É o que acumulamos, a riqueza que adquirimos. Aquilo que construímos que foi bom, mas também o que foi mal. É possível que no ano que passou, tenhamos acumulado muitas coisas ruins, perdas e experiências negativas, e com isso, sentimo-nos empobrecidos e até mesmo punidos. Então, nesse balanço geral, devemos lembrar de que, sendo o passado o nosso patrimônio pessoal, cada um de nós tem a oportunidade de rever, reavaliar o que construiu, desconstruir o que for necessário, para reconstruir.

. Em primeiro lugar, não seja tão rigoroso consigo mesmo. Cada escolha efetivada é sempre resultado das nossas próprias condições existenciais do momento.

. Faça uma lista das coisas boas que aconteceram durante o ano, e surpreenda-se.

. Avalie seu desempenho, seu progresso, como o alcançou, e conceba quão mais longe ainda pode chegar.

. Pense em todas as coisas que aprendeu e idealize o que pode fazer com todo esse conhecimento.

. Reflita sobre seus erros, e veja se não exigiu de si além do necessário.

. Não crie metas irreais para si, nem estabeleça prazos e datas impossíveis de serem alcançadas.

Não é possível mudar o passado, mas podemos mudar o rumo de nossas atitudes e ações. Podemos reconstruir a partir de onde estamos. Embora todos os eventuais fracassos, construa uma nova vida. Essa é a época, aproveite a ocasião. Encare o novo ano como uma estrada, e caminhe. Um passo de cada vez, decidido e firme. Esse é o segredo.

Feliz 2016!

Eliana Bess d'Alcantara

Psicóloga clínica, CRP 05/33535, especialista em Psicologia Fenomenológica Existencial. Trabalha também num CRAS - Centro de Referência da Assistência Social - que é uma unidade pública que integra os serviços do SUAS – Sistema Único de Assistência Social – cuja finalidade é organizar, coordenar e executar os serviços de proteção social básica da política de assistência. Gosta muito de música, poesia, literatura, e psicologia.

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