No adolescente autista o instinto sexual não é diferente dos demais adolescentes. Isso quer dizer que seu corpo e sua atenção estarão dirigidos a temas relacionados a sexualidade desde o início da puberdade. No entanto, é importante lembrar que o autismo traz uma dificuldade de expressar em palavras o que o adolescente sente dentro de si. Além disso, a forma do autista tentar aproximações sexuais é muito abalada pela dificuldade citada, além da ausência de “feeling” do momento certo, que tanto atrapalha esses adolescentes.

Não há nada mais efetivo para ajudar o adolescente autista – tanto neste como em todos os outros momentos críticos de seu desenvolvimento – do que o diálogo entre pais e filhos.

Todos nós nos lembramos das tentativas mais ou menos bem sucedidas de nossos pais ao nos introduzirem “naqueles assuntos”. Não precisamos repetir os erros de nossos pais.

– Certifique-se de que aquele é um bom momento para conversar com seu filho: ele está à vontade? Prefere um outro dia? Prefere enviar a você algumas perguntas por escrito para quebrar o gelo?
– Pergunte a ele se prefere conversar com a mãe ou pai ou os dois juntos sobre o tema;
– Encorage-o a falar de situações que já tenha vivido ligadas ao tema, e de dúvidas que já lhe ocorreram;
– Lembre-se de que se trata de uma conversa íntima entre pais e filhos. Para isso, use as palavras que você usaria para conversar com uma amiga ou um namorado. Coisas como “agora vamos falar de como funciona seu pênis” ou “você tem que estar preparado para se defender das doenças sexualmente tranmissíveis” podem transformar uma tentativa de diálogo em uma caricatura de aula de biologia, o que não vai ajudar muito.

É só por hoje. Estamos aí para continuar nossas conversas sobre essa temática que, sinceramente, também não é de fácil acesso para nós.

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Sugestões de temas, dúvidas sobre algum conceito de nossos artigos? Participe da nossa nova coluna “Pergunte ao Psiquiatra”! Envie um e-mail para: mauricio.psicologiasdobrasil@gmail.com, que nosso colunista Dr. Maurício Silveira Garrote terá o prazer de respondê-lo!
Maurício Silveira Garrote

Médico especialista em Psiquiatria Clínica pelo HC FMUSP (1985) e Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, com a tese "De Pompéia aos Sertões de Rosa: um percurso ao longo da Clínica Psicanalítica de pacientes com diagnóstico de Esquizofrenia" (1999).

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