COMPORTAMENTO

Complexo de Napoleão: altura pode afetar autoestima e felicidade?

“Vários estudos mostram que isso é apenas um mito”, afirma o psicólogo. “Quando essa crença foi testada em laboratório, analisando homens altos e baixos, os dados mostraram exatamente o contrário: indivíduos altos tendem a perder a paciência mais facilmente.”

Mas Workman menciona uma característica que costuma ser mais manifestada por homens baixos: o ciúme. “Os homens mais baixos se mostraram mais ciumentos do que os mais altos quando a parceira conversava com outras pessoas.” O pesquisador conclui que, de acordo com os estudos existentes, pode-se dizer que o complexo de Napoleão tem mais a ver com o ciúme do que com a agressividade.

As convenções sociais

Workman, um especialista em psicobiologia, acredita que os homens de baixa estatura, especialmente, podem se sentir mais discriminados. A explicação para isso está na chamada seleção sexual. “Nos tempos ancestrais, as mulheres preferiam homens mais altos, talvez porque eram melhores provedores ou caçadores.”

Essa percepção, diz o professor, é muito difícil de mudar – mesmo que não precisemos mais de alguém para caçar e levar comida para casa. “A altura está associada a um alto status, e isso deixa os baixos em prejuízo.” Vince Graff é jornalista e mede 1,57m. Ou seja, tem 20 cm menos do que a média de um homem no Reino Unido.

Ele falou à rádio Why Factorsus sobre as dificuldades em encontrar um par.

“A altura não diz nada sobre o quão interessante é a pessoa ou o quão boa é na cama, mas é a primeira coisa que os outros percebem sobre você.” Graff diz que existe esse complexo autoimposto, que ele levou muito tempo para entender.

“Não acho que ser baixo impede per se que você faça as coisas; pensar isso é que te bloqueia.” Dror Paley, um cirurgião ortopédico que estica as pernas de pessoas baixas, assegura que o complexo persegue muitas delas por toda a vida.

“Mesmo após a operação, elas ainda se sentem baixas, não importa se são ou não.”

Tim Frayling, professor de genética na Universidade de Exeter, no Reino Unido, fez pesquisas para descobrir por que a altura tradicionalmente tem sido associada à pobreza. Frayling e sua equipe realizaram o maior estudo até o momento sobre a relação entre genética e altura.

O resultado foi que, ao longo de suas vidas, os homens altos ganham muito mais do que os baixos na mesma profissão, independentemente da educação ou habilidades. “Nossos dados mostram que, ao longo de sua vida, um homem de, por exemplo, 1,70m, ganhará em um ano US$ 655 (cerca de R$ 2.130) menos que um homem com 1,77m”, disse ele.

De acordo com Frayling, essa tendência é observada em todo o planeta. Estudos realizados nos Estados Unidos, na Finlândia e Coreia do Sul mostram que a altura está relacionada à renda dos homens. O acadêmico também enfatizou que há outro padrão que se repete: a relação entre altura e renda é menos importante no caso das mulheres.

Mulheres e estatura

A seleção sexual mencionada pelo professor Workman não se aplica às mulheres, mas também influencia em certos empregos. Isobella Jade sonhava em ser modelo, mas tinha altura 15 cm menor do que a média de uma profissional das passarelas. Jade lembrou à BBC como em cada processo seletivo sentia que todos os olhos estavam dirigidos a ela, desprezando-a por sua altura.

“Com o tempo, aprendi a apreciar outros aspectos do meu corpo: meus pés, meus olhos, minhas mãos…”

Finalmente veio uma oportunidade.

“O primeiro trabalho que eu tive foi ser uma modelo de pés. Então percebi as vantagens de ser baixa: meu pé se encaixa em muitas das amostras, e um pé pequeno tem aparência melhor nas fotos”, diz.

Hoje, ela tem no currículo trabalhos para grifes como a Victoria’s Secret.

Imagem de capa: Shutterstock/Yuganov Konstantin

TEXTO ORIGINAL DE BBC

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