COMPORTAMENTO

Construir um relacionamento leva anos, destruí-lo pode levar apenas alguns minutos

Não é fácil se relacionar com as pessoas, uma vez que se trata de mundos, universos, sentimentos vindos de lugares outros que não os nossos, ou seja, inevitavelmente, há choques e confrontos pelo caminho. Pessoas são únicas, vivenciam o que lhes acontece de uma forma peculiar e, por isso, os desencontros são tão inevitáveis quanto os encontros.

Principalmente hoje, em meio a uma cultura da superficialidade, em que existem muitas pessoas volúveis e fúteis, para as quais sentimentos se amarrotam sob o peso das aparências e da busca por status social, a confiança virou artigo de luxo. Confiamos em quase ninguém, haja vista vermos tantos sentimentos sendo usados da pior forma por aí. Tememos ter o nosso melhor sendo usado da pior forma por pessoas levianas e inconsequentes.

Qualquer tipo de relacionamento, seja no trabalho, na família, no amor, seja na vida, deve ter como sustentáculo a lealdade, com a qual se firma a confiança. Porém, a lealdade requer sair de si e olhar o outro, importar-se com o outro, enxergar o outro, e a empatia, infelizmente, é rara e pouco presente na sociedade atual. As redes virtuais estão aí, por exemplo, para ilustrarem a constatação de que muitas pessoas parecem pouco se importar com os sentimentos alheios.

Isso tudo acaba nos tornando cada vez mais céticos frente a sentimentos verdadeiros e, assim, demoramos para sedimentar amizades, amores, companheirismo. O relacionamento se constrói diariamente, aos poucos, enquanto os parceiros se conhecem dialogam e se descobrem, sempre juntos, numa troca de sentimentos e de verdades. E a relação se fortalece a cada problema superado, quando a companhia amorosa nos dá as mãos enquanto a tempestade desaba sobre nossas cabeças. Isso leva tempo. Muito tempo.

Por isso é que não podemos desistir diante de qualquer entrave ou contrariedade, jogando fora o que despendeu muita luta, muita coragem, muita intensidade. Muito amor. Infelizmente, há pessoas que não relutam em jogar no lixo tudo o que já têm, tudo o que já construíram, por conta de prazeres momentâneos, de mentira dolorosa, de silêncio e desprezo. Tem coisa que nenhum coração é capaz de suportar, pois há erros que machucam demais e são feitos intencionalmente, deliberadamente, de uma forma sozinha e egoísta. Mas o outro sempre esteve ali do lado. Sempre.

Alguns erros servem como lição e podem ser superados, porém, há erros que machucam demais, ferindo por completo a dignidade de quem sofreu deslealdade e decepção. E nada poderá ser como antes. Nada. Como dizem, para se construir um relacionamento, é preciso muito tempo. Para destruí-lo, porém, são necessários apenas alguns segundos.

Foto de Joel Overbeck em Unsplash

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

Recent Posts

Como encontrar uma psicóloga brasileira no exterior: guia completo para quem mora fora

Saiba como encontrar uma psicóloga brasileira confiável no exterior. Entenda critérios, abordagens e como funciona…

8 horas ago

A psicologia das cores no home office: como os tons podem reduzir o estresse e aumentar o foco?

Descubra como a escolha cromática estratégica pode transformar sua produtividade, criando um refúgio de concentração…

1 semana ago

A psicóloga Josie Conti é de confiança? O que observar antes de escolher uma profissional

A psicóloga Josie Conti é de confiança? Veja quais critérios observar: registro profissional, formação, experiência,…

2 semanas ago

Esse suspense de David Fincher começa com um desaparecimento e termina deixando o público completamente sem chão

O suspense de David Fincher que fez muita gente terminar o filme sem saber em…

2 semanas ago

Uma cirurgia salvou a vida dela — mas esconde um segredo sombrio que muda tudo nessa série da Netflix

Essa série da Netflix começa com um transplante de coração… e termina revelando um segredo…

2 semanas ago

Por que as pessoas eram tão magras e em forma nos anos 70? O detalhe esquecido que mudou completamente o corpo das pessoas

Há um detalhe da vida cotidiana dos anos 70 que praticamente desapareceu — e ele…

2 semanas ago