INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

A diferença entre priorizar e mimar um filho

Por Silvia Marques

Fiquei emocionada ao ver um vídeo divulgado pelo You Tube: Caminhando com Tim Tim. Peguei a recomendação num ótimo artigo da psicóloga Rosely Sayão. Sempre adorei crianças, mas confesso que nos últimos tempos , elas estão me assustando. Extremamente voluntariosas, muitas mandam na casa, definindo a rotina dos pais e isolando os mesmos socialmente.

Como sempre , preciso admitir que a culpa é dos adultos. Sim, crianças nascem como livros em branco, prontas para serem preenchidas com amor , carinho, empatia e criatividade ou com birras , manhas , preconceitos e antisociabilidade. Ok.Ok.Ok. Cada um tem o seu temperamento e muitos irmãos apresentam jeitos de ser bem diferentes, mesmo sendo criados da mesma forma. Mas, ainda acredito muito no poder de uma boa educação. De uma educação amorosa e vigorosa ao mesmo tempo. Com limites e afeto. Com boas conversas no lugar de chineladas. Acredito numa educação que coloca a criança em primeiro lugar , mas nunca como senhora da casa.

Sei que falar é fácil. Difícil é educar , é enfrentar o dia a dia depois de uma jornada de trabalho de mais de 8 horas. Eu sei que é difícil argumentar calmamente depois de ter passado horas em engarrafamentos, depois de milhares de sapos engolidos no trabalho. Porém, quem sabe educar prepara um ser humano para a vida. Quem educa, prepara uma pessoa que será querida , que terá facilidade em fazer amizades porque sabe respeitar o espaço alheio, sabe compartilhar , querer bem, se solidarizar , fazer parte da vida dos outros.

Quem por cansaço ou inabilidade compra o silêncio dos filhos com presentes caros e mimos , fazendo todas as vontades dos pequenos , até mesmo aquelas que podem magoar outras pessoas, preparará uma pessoa antissocial, egoísta, capaz de enxergar apenas as próprias necessidades e desejos, com jeito de forte , mas muito fraca por dentro. Sim, os verdadeiros fracos não são as pessoas mais sensíveis , que choram mais , que se importam mais , que sofrem mais. Os mais fracos são aqueles que vivem isolados no próprio egoísmo, incapazes de se envolverem verdadeiramente e se importarem com as outras pessoas.

Infelizmente , cada vez mais , estamos nos tornando mais fechados e egocêntricos. Infelizmente , cada vez mais , estamos considerando menos as outras pessoas com seus sentimentos. Sim, está faltando empatia no mundo. Obviamente , as crianças atualmente estão mais irritantes. Estão aprendendo conosco.

A incapacidade de lidar com as dificuldades inerentes à qualquer relacionamento, estamos ensinando aos menores. Estamos ensinando a rotular e a excluir as pessoas. Crianças nascem sem preconceitos. Estamos ensinando que cada um deve ficar no seu quadrado, com seu smartphone , mais interessado em papear com alguém do outro lado do planeta do que com alguém da família, que mora na mesma casa.

Estamos ensinando que é feio se importar. Obviamente , não creio que a gente deva supervalorizar tudo, jogando uma lente de aumento nos problemas. Superar o passado e deixar para trás quem nos faz mal também é sinal de maturidade, de inteligência emocional. O meu famoso ligar o fodômetro… O problema é quando uma pessoa não consegue se envolver com nada nem com ninguém. O problema é quando a pessoa mergulha num estado de egocentrismo tão profundo que a impede de ver que existe um mundo ao redor.

Recomendo a todos o vídeo Caminhando com Tim Tim. Uma jovem mãe dá uma aula de poesia e afeto de como educar um filho empático num mundo cheio de redes sociais , mas cada vez mais antissocial.

Imagem de capa: Shutterstock/Sunny studio

TEXTO ORIGINAL DE OBVIOUS

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