O olhar do psicólogo e do analista para o sofrimento do paciente é diferente do olhar do médico.
A Psiquiatria e a Psicanálise são áreas do conhecimento humano distintas, mas que podem contribuir uma com a outra. Isso faz com que, enquanto cada uma tem um enfoque e uma ética diferente e importante, podem se enriquecer mutuamente a partir do momento que se permitem interrogar sobre suas diferenças.
Vou falar do enfoque psicológico e psicanalítico que é a minha área de atuação.
Na clínica psicanalítica, o “doente” é tratado como sujeito, sujeito de um discurso, sujeito desejante, sujeito único e singular, sujeito cujo sintoma tem algo a dizer, algo que é só dele.
Dizemos, então, que o saber psiquiátrico é um saber generalista, que classifica, a seu modo, o paciente em um diagnóstico (de acordo com o DSM V – Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais) e o trata com medicamentos, ou seja, a partir da terapêutica farmacológica.
Já o saber psicanalítico é um saber particular, que dá voz ao paciente, pois acredita que ele sabe mais de si do que qualquer pessoa, e que existe uma participação (em nível inconsciente) naquilo que lhe ocorre.

Ao encontrar o caminho do seu desejo, o paciente passa a falar por si mesmo e deixa de se apegar aos rótulos e classificações, assumindo a responsabilidade por sua felicidade e pagando o preço de suas escolhas.
Um diagnóstico pode limitar a visão que o paciente tem de si mesmo e diminuir a capacidade de ele se relacionar com os outros como um sujeito.
Ali onde foi dado um diagnóstico, existe uma história para contar. A psicoterapia psicanalítica possibilita uma construção interpretativa desta história, acrescentando ao diagnóstico genérico um sentido singular.
Para que o sintoma faça sentido, é necessário, portanto, tornar consciente o inconsciente. E isso requer ao sujeito questionar o seu modo de viver, estar disposto a olhar para a dimensão desconhecida de si mesmo e quebrar o ciclo repetitivo que o leva sempre ao mesmo lugar.

Audrey Vanessa Barbosa

Psicóloga clínica de abordagem psicanalítica na cidade de Limeira-SP; possui Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas pela FCA- UNICAMP; ministra palestras com temáticas voltadas ao desenvolvimento humano. Também possui formação em Administração de Empresas e experiência na área de RH (Recrutamento & Seleção e Treinamento e Desenvolvimento).

Recent Posts

O medo de ser visto de verdade: sintomas, causas emocionais e como a psicoterapia pode ajudar

O medo de ser visto de verdade pode gerar ansiedade social, vergonha e baixa autoestima.…

2 dias ago

Mentira, vergonha ou defesa? O que está por trás de quem não sustenta o olhar ao falar

Desviar o olhar não é acaso: o que esse gesto silencioso denuncia numa conversa

2 dias ago

O que era para ser um refúgio romântico vira um pesadelo silencioso neste novo suspense do streaming

O suspense que começa com um casal apaixonado e termina em um clima de puro…

3 dias ago

Distopia com Rodrigo Santoro encanta com cenas poéticas, é um dos melhores filmes do ano e já está na Netfllix

Digno de Oscar, filme de ficção científica na Netflix surpreende com história cheios de segredos

3 dias ago

Médico explica enxurrada de vídeos de pessoas em “estado zumbi” e faz alerta para desavisados não terem o mesmo destino

Parece droga, mas é pior: médico faz alerta duro sobre vídeos de pessoas em ‘estado…

5 dias ago