Marcel Camargo

Eliminar certas pessoas de nossas vidas traz mais leveza do que eliminar quilos

Às vezes, eu paro e penso no tanto de coisas que eu guardo e não uso, sejam roupas, livros, sejam objetos. Engraçado como eu ainda resista em me desprender de certas coisas e acho que isso acontece com todo mundo: guardar quinquilharias inúteis, sem saber a razão daquilo.

Talvez eu faça isso porque eu sinto as coisas com muita intensidade e parece que tudo carrega, em si, um valor emocional. É como se eu olhasse para o objeto e voltasse tudo de novo. É como se voltasse, dentro de mim, tudo o que eu vivi com ele, tendo ele, ao lado dele. Guardo muitas lembranças e sempre retorno, em mente, aos momentos que construíram minha jornada. Daí eu acabo achando que o que ficou aqui dentro possa ir embora junto com as coisas.

E, talvez por essa mesma razão, eu também costumava me apegar fortemente às pessoas. O convívio com os outros me marca e por isso era tão duro, para mim, despedir-me dos outros, mesmo quando elas não iam embora para sempre. Eu melhorei muito nesse aspecto. Hoje já eu sei quem tem que ficar junto e o que tem que ficar para trás. A quarentena me serviu, também, para perceber quem realmente faz falta na minha vida.

Na verdade, a gente tem que agir com os sentimentos da mesma forma como agimos em relação aos espaços de nossa casa. Assim como temos que identificar quais objetos são apenas entulhos, devemos fazer o mesmo com as pessoas: desapegar de quem atrapalha o nosso sorriso, de quem não valoriza o nosso viver. Isso traz leveza, pois abre caminhos, libera espaço para que entrem coisas e pessoas novas em nossa jornada, que está em andamento.

Não podemos é ter medo de deixar ir embora o que tiver que ir, o que já deu o que tinha que dar. Com o tempo, a gente entende que muito daquilo que saiu de nossas vidas foi livramento, que não ter dado certo foi o melhor, que nem tudo e nem todos farão parte de nossas vidas. A gente tem mais calma para aguardar o que a vida traz enquanto se renova. E é tão lindo. Sempre será.

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Texto publicado originalmente em Prof Marcel Camargo

Photo by Jake Melara on Unsplash

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

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