Inúmeras vezes, quando conto a alguém que sou casado com a minha primeira namorada, ouço que não devo ter aproveitado a vida. Ou seja, penso que um grande número de pessoas acha que, para que a juventude seja aproveitada, é preciso pular de uma boca a outra, de uma cama a outra, como se quantidade equivalesse a qualidade. E isso me entristece.
Ao mesmo tempo em que ouço ser a variedade de experiências um aspecto primordial da vida de qualquer um, há muitos reclamando da infidelidade que permeia os relacionamentos, do aspecto descartável conferido a sentimentos que deveriam, pelo contrário, ser duráveis. Afinal, o que se quer: variedade e quantidade ou fidelidade e exclusividade? Porque, como se vê, há muita contradição envolvendo essa questão.
Há muita romantização em torno do descompromisso, como que se pudéssemos preencher vazios afetivos de quaisquer ordem, quanto mais diversidade e variação de parceiros tivéssemos em menos tempo. Isso porque se costuma desatrelar a diversão de tudo o que requer comprometimento e responsabilidade, ou seja, o que provoca riso não pode ser tido como algo sério e responsável. Por essa razão é que tanta gente confunde bom humor com imaturidade ou irresponsabilidade.
Portanto, sendo possível agregar responsabilidade com diversão, torna-se possível, também, haver comprometimento afetivo e aproveitamento de vida. Divertir-se pode muito bem significar ir a festas acompanhado, ir ao cinema apaixonado, passar uma noite de sábado namorando, assistindo a seriados junto a quem ama. Não há divertimento mais certo, aliás, do que sentir-se amado de verdade, do que amor correspondido, amor recíproco.
Eu até posso ter perdido algumas festas e sei lá mais o quê, mas jamais me arrependerei de ter optado pela mulher com quem eu queria passar o resto da vida junto, de ter crescido e amadurecido ao lado de quem sempre torceu por mim, de ter batalhado a vida toda para que pudéssemos construir um lar onde nossa família repousaria a cada dia, sob calmarias e tempestades. Eu me casei com minha primeira namorada e aproveitei a vida, sim, porque desfrutamos das dores e dos prazeres de um relacionamento forte, de mãos dadas. Isso nos tornou cada vez mais próximos e unidos. Assim como deve ser.
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