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Não tire o batom vermelho! – O violentar na sua forma mais sutil

“Eu vejo você como um porco”, era o que Marina*, 32 anos, mais ouvia do marido enquanto ele cuspia em seu rosto. Casada por 12 anos, ela ficou 10 sem ter coragem de se olhar no espelho. O marido a empurrava, gritava com ela, trancava-a dentro de casa por dias, humilhava-a. (…) “Eu não tinha direito a nada. Até no corte do cabelo dos meus filhos eu não podia opinar”. O seu único sentimento era o de culpa, já que ele sempre a fez acreditar que a forma como ele a tratava era por responsabilidade dela. “Eu sempre achei que ele estava certo e eu queria ser perfeita para ele”. (…).

 

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2011 indicam que mais de 70% das mulheres em todo o mundo sofrem algum tipo de violência de gênero ao longo da vida.

[Os dados acima foram coletados no site Portal Brasil].

‘Marina’, cujo nome é fictício, é uma entre milhares de mulheres que sofrem caladas com a violência doméstica, e assim como ela, muitas mulheres sequer sabem que são vítimas.

Mulheres em todo o mundo sofrem violência e discriminação, e a violência não é só física e/ou sexual. A violência psicológica é muito comum e toma formas tão sutis que muitas vezes são ainda mais difíceis de serem percebidas.

“Eu vejo você como um porco” – a violência psicológica coloca a violência física em segundo plano. Seu primeiro objetivo é afetar psicologicamente o indivíduo, destruindo sua autoestima sem deixar lesões físicas aparentes.

Algumas das formas mais utilizadas:

– Controlar a maneira de se vestir – a maquiagem, o esmalte, e o tipo de sapato que usa;

– Interferir nas amizades e relacionamentos familiares – proibir de sair, estabelecer horários para chegar;

– Controlar a alimentação, controlar o peso – sempre colocar defeitos “Você está gorda demais”, “Você está magra demais”;

– Colocar defeito em tudo que realiza e na maneira que se expressa,

– Não respeitar o seu lugar de fala – muitas vezes interrompendo com frequência;

– Ofender, fazer duvidar da própria inteligência, corrigir em público – expor a situações desconfortáveis e humilhantes;

Esses são apenas alguns exemplos das muitas formas de violência. São usadas como forma de controle e normalmente são seguidas de uma “inversão”, onde o agressor faz com que a vítima sinta-se culpada e merecedora da violência sofrida. “Eu sempre achei que ele estava certo e eu queria ser perfeita para ele”.

Com o tempo as agressões vão destruindo a autoestima. Fazendo com que a pessoa passe a manter de si, apenas uma avaliação altamente negativa, e isso vai minando também o relacionamento com amigas/os e familiares. A violência psicológica toma formas muito sutis, mas de alguma maneira o sentimento de angústia pode ser percebido, e mesmo sem conseguir identificar o que há de errado a pessoa pode buscar ajuda.

Não deixe de buscar ajuda caso você sinta que algo não está legal em seu relacionamento. E se perceber que alguma mulher está em um relacionamento abusivo, procure alertá-la.

A matéria com o depoimento completo de “Marina” e outras mulheres, você encontra aqui

 

Karla Kratschmer

Karla Kratschmer atua na área clínica com uma psicoterapia de base psicanalítica para adultos, adolescentes e casais. O consultório fica localizado no bairro Chácara Santo Antônio, na ZS de São Paulo/SP, na região das ruas Verbo Divino e Alexandre Dumas. Oferece atendimento particular, por plano de saúde via reembolso, ou pelo PROGRAMA DE PSICOLOGIA DIFERENCIADA. Contato: karlak@karlak.com.br | (11) 9-9613-5444 | www.psicologakarlak.com.br

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