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O caminho do amor próprio e da resiliência

Ter boa saúde mental e emocional não está associada ao fato de não termos momentos de dificuldade, obviamente todas as pessoas passam por momentos difíceis que geram stress, medo, angústia e dor. O que vai definir aquele que tem uma boa saúde emocional daquele que não detém esse estado de equilíbrio é a capacidade de resiliência de cada um.

Para aprender a seguir em frente mesmo após os dias que não são tão bons, precisamos olhar para dentro de nós mesmos, respeitar os nossos sentimentos, parar de lutar contra eles e ter uma atitude de aceitação e mudança. Afinal, como diria o Leonardo Boff, a crise é uma oportunidade de crescimento.

Mas como desenvolver a resiliência?

A primeira consideração que devemos fazer a nós mesmos é que, geralmente, quando as coisas não vão exatamente da forma como gostaríamos, temos a tendência a sermos mais duros conosco, nos cobramos além daquilo que deveríamos, damos atenção e importância a pensamentos e sentimentos negativos e eles transformam os nossos obstáculos em barreiras quase que intransponíveis.

Desenvolver equilíbrio emocional não é fácil e exige muito esforço e dedicação. Confrontar-se consigo mesmo, com as coisas que passamos a vida inteira tentando esconder de nós mesmos é uma tarefa árdua, que exige tempo, por isso nem todas as pessoas estão preparadas para essa jornada.

O nível mais profundo de estabilidade emocional que conseguimos ter está associado a aquilo que conseguimos estar conscientes sobre nós mesmos, autoconhecimento é o melhor caminho para lidar com as frustrações da vida, desenvolver as nossas potencialidades, reconhecer os nossos fracassos, aprender a diferenciar os nossos sentimentos dos sentimentos alheios, e tudo isso nos ajuda a desenvolver autoconhecimento, amor próprio e resiliência. Observar os nossos pensamentos, a qualidade daquilo que permeia o nosso ser e passar a ter uma atitude mais crítica acerca daquilo que produzimos no nosso interior, como os pensamentos negativos acerca de nós mesmos é uma boa maneira de ter acesso ao autoconhecimento.

Quando passamos a perceber de que maneira somos afetados pelas coisas, percebemos que ter pensamentos negativos não é um problema, afinal, todas as pessoas têm esses pensamentos e eles ocorrem junto com o fluxo normal de pensamentos, sendo praticamente impossível evitá-los. Entretanto, conhecer e entender o que eles dizem a nosso respeito, conseguir não deixar que eles influenciem o nosso comportamento e estado de equilíbrio é fundamental para atingir maturidade emocional.

Superar os nossos medos, traçar objetivos, continuar a caminhada mesmo no meio das grandes dificuldades são atitudes geradoras de resiliência, além de naturalmente aumentarem a autoestima e o autoconhecimento. Aprendemos a diferenciar esses conceitos apenas didaticamente, por que na prática entendemos que eles ocorrem juntos, no fluxo da vida. Ninguém consegue desenvolver resiliência sem autoconhecimento, ninguém consegue desenvolver autoestima sem ter “as rédeas” da própria vida.

Aprender a parar de se machucar, conhecer bem os nossos sentimentos e saber usá-los a nosso favor exige muito autoconhecimento, desenvolve a nossa capacidade de resiliência e autoestima.

Ocorre que muitas vezes a falta de autoestima nos leva a usar a medida do outro na nossa própria fôrma. Cada um tem em si aquilo que é capaz de impulsionar para alcançar os seus objetivos. O que faz a Maria exalar alegria pode não fazer a Joana feliz e saltitante. Cabe a cada um encontrar-se consigo mesmo. Escrever o seu caminho. Desenhar a sua fôrma e ser feliz em sua própria medida.

Mônica Reis de Oliveira

Psicóloga Clínica CRP03-9757

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