Infelizmente, a maior parte dos adultos tem o desenho como algo sem valor, sem necessidade, uma perda de tempo. Esses não conseguem enxergar a importância dos desenhos, nem seus benefícios.

O desenho é uma das ferramentas utilizadas no processo de terapia infantil, e seu valor é imensurável. Em casos de crianças que ainda não desenvolveram a fala, o desenho é de extrema importância.

Todas as crianças gostam de desenhar, pintar ou simplesmente rabiscar, e os adultos também. No entanto, quando estamos entrando na adolescência, paramos de desenhar, pintar ou simplesmente rabiscar, acreditando que isso é coisa de criança, quando na verdade vai muito além de uma brincadeira infantil. O desenho nos proporciona uma coordenação motora firme, melhora a concentração e estimula a nossa criatividade, permitido uma qualidade de vida mental mais elevada.

O desenhar, pintar ou simplesmente rabiscar é uma terapia à qual todos temos acesso. O desenhar, pintar ou simplesmente rabiscar deve ser estimulado na infância e exercitado durante toda a nossa existência, mesmo que em menor quantidade, sem nos preocuparmos com sua qualidade.

Cada pintura, desenho e até os rabiscos revelam as projeções das crianças. As análises infantis demonstram sempre que, por trás do desenho, da pintura e da fotografia, esconde-se uma atividade inconsciente muito mais profunda: trata-se da procriação e da produção no inconsciente do objeto representado (MELANIE KLEIN apud MÉREDIEU 1974, p. 61).

Valle e Françoso (1999) ressaltam o valor do desenho no contexto de analise clínica. O desenho se constitui numa condição ótima para a projeção da personalidade, possibilitando a manifestação de aspectos que o sujeito não tem conhecimento, não quer ou não pode revelar. Isto porque é um meio menos usual de comunicação do que a linguagem, e por ter conteúdo simbólico menos reconhecido.

O desenho é, portanto, um recurso técnico capaz de auxiliar estudiosos e clínicos, devido ao seu valor expressivo, projetivo, narrativo e prático.

Em “Descobrindo Crianças”, livro de Oaklander (1980), as crianças frequentemente preferem desenhar ou pintar aquilo que querem, e não aquilo que se lhes mandam. Isto não prejudica o processo terapêutico; a importância reside no que está em primeiro plano para a criança. Quando a pintura flui, amiúde o mesmo ocorre com a emoção. As crianças têm prazer em pintar, especialmente as que já passaram da idade da creche ou jardim de infância (p.61 e 62).

Silvia Duarte

Psicóloga Clínica e Palestrante na Instituição Atitude Jovem Adventus. Graduada em Psicologia pela FAMETRO - Faculdade Metropolitana de Manaus (AM-2014)

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Silvia Duarte

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