“Educação vem de berço” – afirma a máxima popular, comumente citado para lembrar aos pais que são eles, e “exclusivamente” eles, os responsáveis pela formação humana de seus filhos. Sobretudo em tempos nos quais os pais estão “terceirizando” a educação dos filhos para a instituição escolar, nunca esta fala foi tão utilizada. É quase como um slogan de algum grupo de militância política. E tal como um slogan, não necessariamente é totalmente verdadeiro! Pois afirmo categoricamente: a educação escapa ao berço!
A Psicologia do Desenvolvimento chama de Processo de Socialização aquilo que nós chamamos habitualmente de “educação”. Refere-se, em suma, ao modo como a criança e o adolescente vão forjando a própria personalidade e o seu repertório comportamental a partir das experiências que vai tendo ao longo dos primeiros anos da vida. É um mecanismo de assimilação cultural. A criança vai entrando em contato com o mundo e com inúmeras pessoas diferentes, ao passo que vai aprendendo maneiras de se comportar e vai internalizando regras, crenças e valores. É na observação e na convivência com o outro que a criança constrói a si mesma (ou é construída). É a partir do “feedback” do outro que a criança vai percebendo quais são as formas socialmente mais aceitas de se comportar.
Dito isto, retomo a pergunta: a educação vem apenas “do berço”?
No processo de socialização da criança e do adolescente, diversos são os atores que participam: pais, vizinhos, professores, amigos, a igreja, a “rua”, a televisão/internet etc.
Se atualmente a criança passa boa parte do seu tempo na creche, por exemplo, e somente no período noturno compartilha tempo com os pais, quem é que está tendo mais influência na socialização/educação dela?
A literatura especializada destaca graus de influência sobre a socialização da criança para cada ator social, ao longo da sua trajetória de desenvolvimento:
Nos primeiros anos de vida, obviamente, são os pais as figuras que têm maior peso sobre a socialização infantil. Por volta dos 07 anos, no entanto, início do período de escolarização formal, a escola aparece como principal contexto de socialização. Que pai nunca recebeu uma correção do filho, seguida pelo argumento “a professora falou que não é assim”.
Enfim, por volta dos 12 anos, quando se inicia a adolescência, são os amigos (o grupo de pares) aqueles que têm maior influência sobre o processo de socialização do adolescente. É por isso que, na adolescência, podemos observar fenômenos como a formação de tribos urbanas e percebemos quão grande é a preocupação do jovem em agradar e participar do grupo de pares.
O que eu estou dizendo não é, de forma alguma: “ Pais, eduquem seus filhos até os 7 anos, depois, transfiram a responsabilidade para a escola, até que, aos 13, deixem-nos soltos no mundo! ”. Não é isso! O motivo deste texto, ao contrário, é tecer duas reflexões importantes:
1. Pais e professores precisam parar de jogar a responsabilidade pela educação das crianças uns para os outros e perceber que cada um tem um papel essencial neste processo, que não pode jamais ser negligenciado. Assim, pais e professores precisam unir forças para oferecer às crianças e aos adolescentes uma educação coesa, coerente, ética e de qualidade. Pais e professores precisam trabalhar juntos!
2. Os pais são o “centro” da educação dos filhos, porque são a única figura social que acompanhará a criança ao longo de todo o seu processo de socialização (professores mudam, os amigos também). Porém, conforme a criança vai crescendo, vai ficando cada vez mais difícil para eles praticar influência sobre os filhos. Mas é aí que a tarefa fica mais importante. Assim, pais devem se atentar em exercer, em qualquer fase da vida, supervisão adequada sobre seus filhos: conhecer o grupo de amigos do filho e os locais que ele frequenta, estabelecer e cobrar regras de conduta, incentivar e participar da vida escolar da criança etc. E o mais importante: educar é criar e superar conflitos. Jamais fugir deles! O conflito é o motor do desenvolvimento!
Criança precisa de família, de professor, de bons amigos, de adultos coerentes e responsáveis. É um direito delas, é o nosso dever, e a solução de muitos dos problemas atuais da humanidade.
Imagem de capa: Shutterstock/Rawpixel.com
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