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Ser antissocial não é o mesmo que ser reservado; conheça 14 características

Muitas pessoas erram ao classificar alguém como antisssocial sem conhecimento do assunto. Ao contrário do que muita gente acredita, antissocial não é aquela pessoa que dá valor à sua individualidade e troca facilmente o bar no sábado à noite por um filme e um balde de pipoca no sábado à noite. O transtorno de personalidade do tipo antissocial é uma patologia, que em casos muito graves costumamos chamar de psicopatia ou sociopatia.

Gilmar Tadeu de Azevedo Fidelis, que é psicólogo do Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Coordenador do Programa de Tutoria da UFMG (Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais), esclarece alguns pontos sobre o assunto. “É importante saber distinguir o transtorno antissocial de traços de personalidade de pessoas mais reservadas, pois esse isolamento não tem necessariamente uma projeção negativa para a estrutura social”.

Cerca de 6% da população convive com este transtorno que pode trazer prejuízos ao paciente e seu entorno social. “O antissocial não prefere ficar sozinho, mas vai para a sociedade desconsiderando e violando os direitos dos outros”, alerta o psicólogo Sérgio Eduardo Silva de Oliveira, PhD, docente na UnB (Universidade de Brasília).

Mesmo que um paciente diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial não manifeste todos os sinais indicados, o padrão de desrespeito ao outro e ao patrimônio costuma ser um indicativo importante. E este padrão pode ocorrer por vias diferentes como agressividade, falsidade ou manipulação. “Os sinais podem variar de pessoa para pessoa, sendo que um indivíduo pode ter um padrão de comportamento mais hostil/violento, enquanto outro pode funcionar no âmbito da falsidade, sem ser agressivo”, exemplifica Oliveira.

Confira 14 sinais características dessa doença:

-Maltrato aos animais;
-Brigas e agressões físicas com outras pessoas;
-Desrespeito à propriedade, como vandalismo;
-Sair de casa sem avisar aos pais ou fugir de casa;
-Cabular aula;
-Não conseguir se ajustar às normais sociais;
-Não conseguir apresentar um padrão de comportamento legal, seguindo o que é indicado pela sociedade, podendo até gerar algum tipo de detenção;
-Forte tendência a falsidade, falando muitas mentiras;
-Apresentar impulsividade ou fracasso em fazer planos futuros. Neste caso, a ação por impulso pode levar ao envolvimento com comportamentos criminosos para satisfazer esses impulsos;
-Irritabilidade e agressividade;
-Descaso pela segurança de si e dos outros, colocando-se em risco como beber e dirigir;
-Irresponsabilidade, ou seja, não arca com suas dívidas e não se importa em ficar devendo;
-Ausência de remorso ou culpa por estar fazendo alguma transgressão;
-Indiferentes a dor e aos sentimentos dos outros, podendo até culpar o outro por sua atitude mais agressiva ou desonesta, como por exemplo afirmando: ‘fiz mesmo porque ele mereceu’

Para Fidelis, o limite entre o certo e errado é muito complexo para o antissocial. Por isso, o diagnóstico só é fechado a partir dos 18 anos, sendo que o histórico de infância e adolescência será levado em consideração para essa conclusão. “Um dos critérios para dar o diagnóstico é buscar se antes dos 15 anos esse paciente já apresentava padrões de comportamento disruptivos [como os já citados]”, esclarece Oliveira.

No entanto, não é um episódio isolado que irá determinar esse diagnóstico, mas um conjunto de comportamentos que poderão indicar o transtorno. “É necessário essa evidência de que antes dos 15 anos já havia essa conduta de comportamento e, após 18 anos, houve uma continuidade e até acréscimo de demais critérios. Por isso, esse período é importante para que aspectos transitórios não sejam configurados como transtorno”, detalha Oliveira. No entanto, após os 18 anos se os sinais ainda persistirem, haverá evidências mais marcadas dessa construção de personalidade.

“O transtorno mental tem variação de gradação, podendo ser mais leve ou mais severo. Quanto mais severo, mais violento tende a ser o comportamento e menos culpa apresentar”, alerta Oliveira. Por isso, a busca por tratamento pode ser mais difícil. Ainda assim, é importante destacar que mesmo não falando em cura ou reversão de quadro, é possível conseguir estabilização e diminuição de comportamentos. “A psicoterapia em longo prazo indiscutivelmente é fundamental”, confirma Fidelis.

Essa psicoterapia pode ser focada no processo de mudança de padrão de pensamentos (terapia cognitiva) ou mudança de comportamento (terapia comportamental), pois o padrão de crenças tende a ser rígido e difícil mudar, mas a proposta é de que o paciente identifique como inadequados e os modifique. Já os medicamentos irão depender do desenvolvimento e de cenários clínicos paralelos. “Este paciente pode ter por comorbidade quadros ansiosos, depressivos ou obsessivos, questões de ordem mental que podem estar presentes no cenário comportamental. Neste caso, o medicamento pode ser indicado para tratar estes quadros clínicos”, finaliza Fidelis.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de UOL Viva Bem.
Foto destacada: Reprodução.

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