Tratar com carinho é tocar a alma do outro com respeito

Por Raquel Brito

Tratar com carinho é o melhor sinal de respeito para com os outros. É sinônimo de bondade, de amabilidade e de amor. Afinal, que sentido haveria em não tratarmos com carinho aquelas pessoas que amamos? A resposta é simples: nenhum.

Mas esta afirmação tão avassaladora muitas vezes não é sinônimo de realidade. De fato, com facilidade nos esquecemos da importância de tratar com delicadeza, de colocar as nossas mãos emocionais sobre os outros e dedicar atitudes e palavras de carinho no dia a dia.

Respostas tortas, falta de respeito, impertinência, gritos, exigências… Com certeza, cada uma destas reações está muito presente em nossos relacionamentos e no nosso jeito de interagir.

Tratar com carinho e a conexão emocional
Uma palavra, uma pergunta, um gesto, um olhar, um conflito… Qualquer expressão constitui uma tentativa de conexão emocional com a qual queremos dizer “Quero me sentir ligado a você”. Com base nisto receberemos uma resposta positiva ou negativa à nossa solicitação.

Se você parar para pensar, é estarrecedora a frequência com a qual ignoramos ou damos respostas desagradáveis frente a estas tentativas de conexão. Daí a importância de aprender a tratar com carinho, a tocar com respeito os outros.

Assim, as tentativas de conexão emocional seriam muito mais frutíferas se soubéssemos reconhecer as necessidades emocionais dos outros. Muitas brigas são consequência de más interpretações e da sensação de desconexão que podem ser evitadas com uma conversa.

Quando a conversa não acontece a partir do respeito com os outros, os nossos relacionamentos murcham e se deterioram. Conversas sem respeito, gestos de carinho sem resposta, brigas, falta de empatia, etc. Quando deixamos de lado a importância de nos conectar, costumamos promover o nosso próprio isolamento, a nossa insatisfação e a nossa instabilidade.
As respostas às tentativas de conexão emocional
Os relacionamentos completos e que criam satisfação não se conseguem do dia para a noite, mas precisam ser trabalhados pouco a pouco com vários gestos que desenvolvam uma estabilidade e um carinho em nossos padrões de interação.

Digamos que cada dia e com cada pequeno gesto vamos colocando tijolos em nosso castelo e que, obviamente, essas trocas constituem os pilares da informação emocional que alimenta nosso afeto.
As respostas positivas levam a uma interação contínua e saudável. Constituem o toque perfeito de um jogo de ping-pong no qual ambos participantes jogam com gosto. Contudo, as respostas negativas cancelam qualquer tentativa de conexão. Ou seja, se um joga a bola e o outro não mexer a sua raquete, o jogo acabou.

Em suma, temos várias opções para responder às tentativas de conexão e, conforme elas forem, jogaremos durante mais ou menos tempo ping pong. Vejamos quais os jeitos de responder a um gesto alheio:

Responder com empatia ao outro: por exemplo, quando uma pessoa faz um comentário engraçado e o outro ri. Se fomentarmos este tipo de conexão obteremos como recompensa relacionamentos duradouros e cheios de boas sensações.
Responder com hostilidade: as pessoas que respondem com hostilidade podem ser chamadas de agressivas ou argumentativas. Usar esse tipo de resposta denota sarcasmo e desprezo. Um exemplo seria: “Eu adoraria comprar um carro” e a resposta hostil: “Com seu salário, nem sonhando”.
Ignorar o outro: isto é sinônimo de não prestar atenção às atitudes do outro, o que obviamente destrói as nossas relações.

Tratar com carinho as pessoas que apreciamos não deve ser uma exceção, e sim uma regra. Muitas vezes descuidamos destes detalhes e enfraquecemos o nosso relacionamento, o qual se deteriora sem solução.
Portanto, coloquemos ênfase e cuidemos das respostas que damos em nosso dia a dia. Não deixemos que se alimentem de gestos ruins e estejamos atentos às tentativas de conexão emocional, sempre com respeito e tolerância.

NOTA: Se o leitor quiser saber mais sobre este tema, recomendamos ler autores como John Gottman ou Deborah Tannen.

TEXTO ORIGINAL DE A MENTE É MARAVILHOSA

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