No imaginário coletivo, é comum observar constatações como “psicólogo dá conselho”, “vou no psicólogo porque preciso desabafar” ou a bastante compartilhada “psicólogo é coisa de doido”.

Todas se referem ao modo de fazer do psicólogo, ao exercício da sua função, e revelam, sobretudo, mais um campo de conhecimento sobre o qual falta informação às pessoas.

De um modo geral, a nossa sociedade é privada da transmissão de valiosas informações e da transformação dessas informações em conhecimento. Uma das consequências dessa privação está na não exploração dos mais variados serviços oferecidos. Dessa forma, não entender a atividade profissional de uma categoria, por exemplo, faz com que esse profissional não seja tão procurado.

Assim acontece atualmente com os serviços em psicologia. Ainda permeada por preconceitos e estereótipos, a representação social do psicólogo não costuma se ligar ao desenvolvimento pessoal, à saúde e ao bem-estar. Pelo contrário, ainda se tem uma ideia do psicólogo diretamente relacionada a doenças e transtornos.

Há quem diga que não precisa; há quem diga que todos precisam. Costumo fazer uma analogia do profissional de psicologia com o profissional de Educação Física – ambos em suas representações mais amplamente conhecidas (psicólogo clínico e personal trainer, especificamente).

Das pessoas que frequentam uma academia, algumas conseguem malhar sozinhas, têm disciplina, conhecem os aparelhos e dominam a execução dos exercícios. Outras, necessitam da ajuda do personal trainer. Mas, há de se convir que todas poderiam se beneficiar do trabalho desse profissional.

Da mesma forma, enxergo o trabalho do psicólogo clínico, ao qual quis me referir mais precisamente neste artigo. Algumas pessoas conseguem administrar seu funcionamento psíquico por conta própria, têm suas dificuldades superadas, sabem lidar com as emoções e se relacionam bem em sociedade. Outras necessitam da ajuda desse profissional. No entanto, posso inferir que todos poderiam se beneficiar de um processo psicoterapêutico bem conduzido.

O psicólogo clínico atua principalmente por meio da psicoterapia, mas tem também como atribuições a realização de avaliação psicológica, orientação, coordenação de programas de promoção de saúde mental e realização de pesquisas, por exemplo, fazendo uso de recursos técnicos diversos aprendidos em seu tempo de formação, e optando por uma abordagem teórica da psicologia que direcione a sua prática.

Então, se você espera que o psicólogo te dê respostas prontas – conselhos – e logo nas primeiras sessões, você não se sentirá satisfeito ao procurar esse profissional. Sim, lá você encontrará um espaço para desabafar – expressar os seus pensamentos e sentimentos sem ouvir julgamentos em seguida. Mas, ainda mais importante, lá você encontrará um espaço para formular as suas respostas. O psicólogo seria como uma lanterna a iluminar o seu quebra-cabeças, podendo te falar, sim: “olha, aquela peça parece que se encaixa com essa, o que acha?” Mas a decisão é sempre sua, o caminho é você quem traça. E ele “só existe quando você passa”! 🙂

Por fim, psicólogo não é “SÓ” coisa de “doido”! Cuidamos, sim, de pessoas que sofrem com transtornos psiquiátricos… Mas, cá pra nós, no mundo de hoje, quem consegue escapar?! Já dizia Albert Einstein: “O mundo é um hospício.”

Jéssica Liz Matos de Oliveira.

Psicóloga, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental para Crianças e Adolescentes. Apaixonada pelo universo infanto-juvenil, busca através da educação emocional ajudar pais e filhos que estejam em sofrimento psíquico ou que queiram simplesmente potencializar o seu estado de bem-estar. Pessoalmente, com uma postura política/ideológica que deve também à formação profissional, luta constantemente em defesa dos direitos humanos e de uma sociedade mais justa e menos desigual.

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