Amor não correspondido não é amor, é sofrimento

Querer um amor não é o problema; problema é aceitar qualquer coisa como se fosse sentimento, mesmo não sendo sentimento algum.

Não é difícil confundirmos amor com o que nem chega perto disso. Às vezes, o desejo por amar e ser amado torna os sentimentos nebulosos, levando a pessoa a nutrir algo que, na verdade, faz mal, por alguém que claramente não devolve nada de volta. Querer um amor não é o problema; problema é aceitar qualquer coisa como se fosse sentimento, mesmo não sendo sentimento algum.

Fato é que amar o outro requer, primeiramente, o amor próprio, uma vez que inseguranças, dúvidas e receios acabam por afastar afeto sincero. O amor é verdade, é certeza, é sim, segurança e esteio. Em terrenos arenosos, em que há incerteza e vulnerabilidade, o amor não florescerá, não se instalará, pois suas sementes se alimentam, sobretudo, de reciprocidade.

Como vivemos um mundo em que as aparências imperam, tudo o que vem de dentro encontra poucas chances de se sobressair, de se acomodar. A verdade da essência de cada um é o que importa, porém, como tentar perceber os sentidos, quando somente se valoriza o que se vê, o que se toca, o que se compra? Amor não é barganha, não é produto de vitrine; depende do que se tem por dentro, do que é sentido, trocado, partilhado por atitudes, gestos e olhares.

Talvez por isso as pessoas se enganem tanto com amor, exatamente por tentarem buscar sentimentos através do material, que é o que se dissemina como necessário. Acabam se apaixonando apenas pela superficialidade do outro, sem se lembrar de que afeto vai muito além do que se vê. Prendem-se, assim, ao que o outro aparenta, mesmo que nada recebam em troca, ainda que não se sintam gente perto dele, sem refletir sobre a real importância daquilo que sente, sem perceber o vazio de nada retornando.

O duro é que deixar de amar pode ser quase impossível, em algumas situações. Resta-nos estarmos seguros o bastante de tudo o que temos a oferecer e da qualidade do afeto que merecemos ter de volta. É assim que não aceitaremos qualquer coisa, qualquer um. É assim que haveremos de mergulhar fundo em amor recíproco, amor verdadeiro. É assim que nos salvamos de nós mesmos.

Imagem de capa: Fabiana Ponzi/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

Recent Posts

Divulga Mais Brasil: confiança, identidade própria e compromisso com quem busca crescer no digital

Saiba por que a Divulga Mais Brasil é confiável, possui identidade própria e não deve…

6 dias ago

Inteligência Artificial e Oportunidades de Carreira Futuras

A Inteligência Artificial (IA) tornou-se uma das tecnologias mais influentes a moldar o futuro do…

1 semana ago

Josie Conti: psicóloga para brasileiros no Brasil e no exterior, com escuta clínica, EMDR e psicoterapia online

Conheça o trabalho da psicóloga Josie Conti e entenda como a psicoterapia online, o EMDR…

1 mês ago

Psicologia do trading forex: o segredo por trás da disciplina e dos lucros consistentes

Quando você entra no mercado de câmbio com a intenção de ganhar dinheiro, suas emoções…

2 meses ago

Relações abusivas nem sempre parecem abusivas — alerta a psicóloga Josie Conti

Relações abusivas nem sempre são óbvias. Entenda como o abuso psicológico se disfarça e por…

2 meses ago

O acúmulo invisível: como microtraumas cotidianos podem comprometer sua saúde emocional

Pequenas experiências do dia a dia podem se acumular e gerar sofrimento emocional. Entenda o…

2 meses ago