Por Teresa Paula Marques

O stress pode ser definido como uma reacção do organismo através de alterações físicas e emocionais que ocorrem na vida da criança quando esta se depara com situações que a amedrontam, excitam, confundem, ou que até a fazem extremamente feliz. Qualquer situação que desperte uma emoção forte, boa ou má, que exija mudanças no modo de agir, pode ser considerada como um elemento stressante ou fonte geradora de stress.

Tudo depende da avaliação que fazemos das situações que nos acontecem. Não é só o facto em si que gera stress mas, principalmente, a forma como o avaliamos, ou seja, se o consideramos positivo ou negativo. Por exemplo, o que para uma pessoa pode ser um evento devastador, para outra pode ser até considerado uma oportunidade de crescimento e aprendizagem. Para além disso, uma certa dose de stress é benéfica porque nos empurra para a frente, faz-nos reagir face às vicissitudes da vida. O problema surge quando a dose é demasiado elevada (ou é sentida como tal) para aquilo que conseguimos gerir.

Fontes de stress

Existem fontes externas e internas de stress. As fontes externas dizem respeito aos eventos que ocorrem na vida da criança e que ultrapassam a sua capacidade de adaptação. Já as fontes internas referem-se às características de personalidade, pensamentos e atitudes, face aos momentos vividos. Neste último caso, o stress pode ser criado pela própria maneira de se perceber a si mesmo e ao mundo.

Perante estes agentes stressores, quando a a criança consegue utilizar estratégias de coping (enfrentamento) para restabelecer o equilíbrio, o stress diminui e o seu equilíbrio interno volta ao normal (chamamos-lhe então stress positivo ou eustress). Contudo, se a tentativa de restabelecer o equilíbrio não for bem-sucedida devido à utilização de deficientes estratégias, a criança começa, então, a adoecer (stress negativo ou distress).

Sintomas de stress

São inúmeros e variados os sintomas de distress. Como sintomas físicos mais comuns temos as dores de barriga ou de cabeça, as náuseas, agitação, tensão muscular, gaguez, ranger de dentes e surgimento de tiques nervosos. Por seu turno, os sintomas psicológicos mais usuais são a agressividade, choro fácil, pesadelos/terrores nocturnos, ansiedade, insegurança, dificuldades de relacionamento interpessoal, mudanças súbitas e constantes de humor, dificuldades de atenção, irritabilidade, dificuldades escolares, de entre outras.

Se os sintomas se prolongarem sem qualquer tipo de intervenção, podem interferir no desenvolvimento e na vida social e escolar das crianças. Na prevenção do stress infantil são fundamentais que as práticas parentais. Os mais velhos devem mostrar uma total abertura para estar com a criança, revelando paciência e prazer nos momentos passados em conjunto. Há, também, que evitar sobrecarregar as crianças com actividades extracurriculares, deixando-lhes tempo livre para a brincadeira.

Como evitar ?

No futuro que importa saber música, inglês, francês, ser bom ginasta e bom nadador se depois vivem numa constante intranquilidade interna, inundados de distress? Ao longo da infância importa que haja tempo para brincar, porque só assim poderemos atingir o equilíbrio emocional necessário para conseguir o almejado sucesso na vida adulta. Posto isto, nada de exageros nas actividades!

Teresa Paula Marques

Vivo em Lisboa, mas nasci há 48 anos, no Tramagal (Abrantes). Desde 1992 que me dedico à psicologia, nas suas mais variadas vertentes ...

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