COMPORTAMENTO

As divergências de opinião nos relacionamentos amorosos

Por Flávio Gikovate, em seu site

Ao caminhar em terreno minado, todo cuidado é pouco. Conversar sobre temas que podem ofender ou magoar o amado exige sabedoria, serenidade e enorme empatia. Empatia significa a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, mas não com a nossa forma de pensar; não se trata de transportar nossa mente para o corpo da pessoa; trata-se de tentar entender como funciona a sua mente, como é que ela está sentindo, como está se vendo diante de uma dada situação.

Além disso, conversar com calma, ponderando as palavras, sem pressa de contra argumentar e sem desconsiderar ou subestimar o sofrimento do parceiro apenas porque saberíamos lidar melhor com aquela situação. […]

A verdade é que a maior parte das pessoas não sabe conversar de modo construtivo, tendem a criticar os pontos de vista do parceiro, quase sempre transmitindo a impressão de que eles são pouco inteligentes ou pouco sensíveis.

Agem de modo agressivo, falam palavras grosseiras logo no início das conversas e não percebem que isso “tampa os ouvidos” do interlocutor, que, ofendido, passa a usar sua inteligência para derrubar os argumentos que está escutando. O resultado é catastrófico, pois as brigas, quando sistemáticas, minam os sentimentos dos que se amam e a separação passa a ser uma questão de tempo.

As relações crescem e se tornam ricas quando as pessoas sabem dialogar. Ou seja, sabem falar na primeira pessoa do singular, colocando suas insatisfações de uma forma delicada: “eu tenho me sentido triste com esse ou aquele fato”, “não me agradam tantas e tais atitudes” “eu não gostaria de fazer isso ou aquilo”…

Aí o parceiro, respondendo também na primeira pessoa e depois de ouvir e ponderar com atenção as palavras do amado, coloca seus pontos de vista. Esses são objeto de atenção e cuidadosa avaliação por parte do primeiro, que irá contra argumentar até que se evolua e chegue a algum ponto de convergência.

Se os acertos não acontecerem e o assunto em questão não for urgente, volta-se a ele dentro de alguns dias, depois dele ser objeto de reflexão mais acurada por parte de ambos. Nesse ínterim, o legal é que o casal continue a se tratar do modo como sempre o fez, evitando manifestações de descaso ou falta de carinho apenas porque não estão conseguindo um determinado acordo quanto a um assunto importante para ambos.

As diferenças de pontos de vista são sempre incômodas e é ótimo quando, no casal, elas não estão presentes. Porém, quando surgem têm que ser tratadas de uma forma adulta, civilizada e construtiva.

Preservar a intimidade e a sinceridade na comunicação do casal são itens essenciais para quem quer conviver por longo tempo de uma forma rica e evolutiva para ambos. Aliás, penso que uma das principais funções dos relacionamentos amorosos adultos é exatamente essa, qual seja, ajudar os parceiros a evoluir, a se tornarem cada vez mais razoáveis, ponderados e tolerantes.

Para a manutenção da intimidade do casal é fundamental que os namorados evitem agir de modo crítico, apontando o dedo rigoroso para o outro a cada desavença ou conduta que lhe pareça menos legal. Quem é criticado com frequência se ressente, se fecha e evita contar aqueles acontecimentos que ele, por experiência, já sabe que serão objeto de novas críticas. Quem padece é a intimidade, de modo que o relacionamento vai se tornando superficial e insincero.

 

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