Cento e vinte e oito anos, aproximadamente duas ou três gerações, no máximo. Nem faz tanto tempo assim. Em 1888 aconteceu a “abolição da escravidão”, embora saibamos das diversas formas de atualização do trabalho escravo, ao menos não é mais legal, não se é tão descarado quanto antes, mas existe. E o racismo? A discriminação, humilhação, violência psicológica ou física praticada contra um sujeito negro de forma gratuita e despreocupada, por que tenta-se negar sua existência? E mais, por que persistem em pleno século XXI tais atos tão desumanos?

Vivemos à luz, isso é um grande problema. Podemos enxergar e isso nos separa, em diversos aspectos. Sucateamos a alma do outro simplesmente por ser diferente de nós. Marginalizamos as possibilidades de ser e estar mundo desse sujeito, tentamos silenciar sua voz. NEGRO! Nunca vi tantas formas de denominar a cor de alguém. Branco, é simplesmente branco, com poucas variações carinhosas… NEGRO, até parece xingamento, de tanto que se evita dizer. Mulato, moreno, gente de cor… NEGRO! Uma pausa para pensarmos. Que diferença da ordem prática faz a quantidade de melanina que temos em nossa pele? Bem certo que a população negra carrega junto à sua cor traços de um passado não muito distante, e de uma realidade presente de sofrimento, discriminação e humilhação. Mas da ordem de ser, o que diferencia se branco ou negro?

E se apagássemos as luzes? Julgamos o outro pelo que somos capazes de ver. Não pelo que ele é, não pelo que ele fala, mas através daquilo que enxergamos na relação “eu-outro”. Se não pudéssemos ver, se todas as luzes fossem apagadas, como faríamos então para conhecer o outro, sua história de vida, seus sonhos, suas dores, seus anseios, seus medos? Ouviríamos sua voz. Respire, por favor… Repita – Ouviríamos sua voz – E aí permitiríamos ao nosso semelhante SER. Ao ouvi-lo haveria então a relação, o cuidado, a preocupação em conhecer quem de fato ele é, talvez nem houvesse cor, se apagássemos as luzes. Afinal, de que nos serviria a cor se teríamos os ouvidos dispostos a acolher?

Carlos Santos

21 anos, artísta plástico e ilustrador, estudante de bacharelado pleno em psicologia pela Faculdade Guararapes, Rede Laureate International Universities. Ativista do CAPE - Coletivo Antiproibicionsta de PE, dedica-se à trabalhos de cunho social como por exemplo, debate sobre a criação de uma nova política de drogas, Ações de Redução de danos, bem como questões sobre minorias politicas (movimento feminista, LGBTT, entre outros).

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