Dicas de Filmes

Na Netflix, filme com 8 indicações ao Oscar vai te fazer pensar por dias (ou mais)

Logo na abertura de Sangue Negro, o espectador já entende que não está diante de um filme comum.

Sem pressa para explicar tudo, a história apresenta um homem sozinho, cavando a terra com obsessão, como se estivesse tentando arrancar algo muito maior do que riqueza. É nesse início silencioso que o tom da narrativa se estabelece: seco, intenso e profundamente desconfortável.

Daniel Plainview, interpretado por Daniel Day-Lewis, é o tipo de personagem que não se revela de imediato. Ele cresce dentro da trama como alguém movido por cálculo, ambição e uma visão muito particular sobre as relações humanas.

Para ele, conexões não passam de interesse em comum — uma lógica que orienta cada decisão que toma enquanto constrói sua trajetória no negócio do petróleo.

Ao longo do filme, essa busca por poder econômico vai se expandindo e ganhando novas camadas. O que começa como exploração de prata evolui para a corrida pelo petróleo, e junto com isso surge uma mudança no próprio comportamento de Plainview.

O sucesso financeiro não suaviza sua personalidade; pelo contrário, acentua seu isolamento e reforça uma postura cada vez mais agressiva e desconfiada.

A direção de Paul Thomas Anderson evita explicar demais e aposta em imagens que permanecem na cabeça. A fotografia de Robert Elswit contribui diretamente para essa sensação, com cenários áridos e composições que destacam o vazio ao redor do protagonista. Tudo parece girar em torno dele, mas ao mesmo tempo nada realmente o acompanha.

Quando a narrativa introduz Eli Sunday, vivido por Paul Dano, o filme ganha um novo tipo de conflito. De um lado, um empresário guiado por lucro e controle; do outro, um líder religioso tentando afirmar sua autoridade.

A relação entre os dois não é baseada em confronto imediato, mas em um embate que cresce aos poucos, alimentado por orgulho, ressentimento e disputas de poder.

Outro ponto que chama atenção é a relação de Plainview com o filho adotivo, H.W. Em vez de seguir um caminho emocional previsível, o filme mostra uma dinâmica fria, marcada por interesse e distanciamento.

Pequenos gestos deixam claro que, mesmo dentro de um ambiente familiar, o protagonista enxerga tudo sob a lógica da utilidade.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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