Marcel Camargo

Não precisa torcer pela felicidade do ex, torça para você ser feliz sem ele

Existe muita idealização a respeito dos finais de relacionamentos, recheada de aconselhamentos que, em sua maioria, prescrevem que tenhamos que querer que o ex seja feliz. Vamos falar a verdade: nenhum rompimento, de início, é tranquilo e sereno, ou seja, muitas mágoas e decepções se acumulam nesse processo. Como é que uma pessoa com o emocional em frangalhos será capaz de cultivar desejos positivos para quem saiu de sua vida sob dores e ressentimentos? Muito difícil.

E havemos de concordar com o fato de que, quando estamos ali sozinhos, sentindo o frio de nossas almas, o mais sensato a fazer é exatamente pensar em nós mesmos, no que fizemos ou deixamos de fazer, refletindo sobre o nosso papel e nossa responsabilidade sobre o que nos acontece. É assim que a gente aprende, que a gente se levanta, que a gente se torna mais gente e evita repetir os mesmos erros. Pedir, nesse momento, que olhemos para o outro, lá longe, pode soar a crueldade.

Na verdade, quando não há mais possibilidade de volta, teremos que colocar um ponto final sobre o que passou, enterrando simbolicamente uma passagem de nossa vida que não deu certo. Mesmo que tenha havido momentos bons, quando do rompimento será melhor deixar lá atrás toda e qualquer lembrança do que acabou, porque teremos que voltar a respirar de novo, sem engasgar com o que não era para ter sido. Será uma jornada muitas vezes solitária, mas terá que ser percorrida.

E mais, quando saímos de um relacionamento que nos tornava menos gente, quando fomos traídos, humilhados, relegados ao vazio em vida, teremos o direito de sentir raiva do outro, sim, mas não por muito tempo, afinal, a raiva fica na gente, no final das contas. Mesmo assim, será preciso desconstruir a imagem idealizada que tínhamos do ex e isso implica desgostar, sem simpatia envolvida. Ou isso, ou não teremos como superar e encarar o passado sem sofrimento.

Logicamente, passado o tempo necessário para nos recompormos – e todos nos recompomos -, poderemos voltar àquele passado, em nossas lembranças, revendo com mais clareza tudo aquilo, muito provavelmente sem nos sentirmos mal ou com raiva. Porém, quando esse passado doído ainda é recente, não há problema em não conseguir torcer pela felicidade do ex, pois isso é sinal de que somos intensos, temos sentimentos e nos entregamos com verdade, desde o início até o depois do fim.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

Recent Posts

Telas que Aprisionam: Os Impactos Silenciosos dos Jogos Online na Saúde Mental dos Adolescentes

A adolescência sempre foi marcada por intensas transformações biológicas, buscas de pertencimento e inseguranças emocionais.…

4 semanas ago

Como identificar e abordar as patologias tropicais mais cobradas nas provas da região Norte?

Saiba quais doenças merecem atenção e como reconhecer pistas clínicas ou epidemiológicas nos enunciados

1 mês ago

Terapia por chat: vantagens e como achar um profissional qualificado

Conheça as vantagens da terapia por chat, entenda como funciona o atendimento por mensagens e…

2 meses ago

Curso especializado em segurança reúne equipe para elevar o padrão da formação operacional

O Instituto Doutrina Policial reúne equipe multidisciplinar com o objetivo de elevar o padrão da…

2 meses ago

O que dar de presente para alguém que acabou de se mudar?

A mudança para um novo lar costuma marcar o começo de uma nova fase, e…

2 meses ago

Terapia em português para brasileiros no exterior: por que o idioma pode fazer diferença

Morar fora do Brasil pode representar crescimento profissional, oportunidades e novas experiências. Mas também envolve…

2 meses ago