A médica Nise da Silveira teve uma homenagem nacional vetada pelo presidente da República, que ignorou o legado dessa grande personagem da nossa história. Ela foi muito importante na psiquiatria, pois combateu as técnicas desumanas no tratamento de pessoas com doenças mentais.
Em lugar desses métodos agressivos, Nise preconizava um tratamento por meio de atividades lúdicas e artísticas em substituição aos serviços de limpeza e manutenção nos hospitais psiquiátricos, onde pacientes tinham a obrigação de fazer.
A psiquiatra fez um trabalho magnífico na terapia ocupacional, porque acreditava que a arte servia para que os doentes resinificassem as conexões com a realidade, recorrendo as suas expressões afetivas, criativas e simbólicas.
Nise também foi uma pioneira no uso de animais para tratamento de doenças mentais. Além disso, manifestou sua preocupação com a arquitetura hospitalar: sem espaço, fria e rígida, que reforça o medo e o isolamento.
Mas na psiquiatria se deparou com o machismo no corpo médico do hospital que trabalhava, uma vez que suas técnicas inovadoras revelavam que o inconsciente dos pacientes esquizofrênicos poderia ser acessado através de pinturas e desenhos.
Portanto, seu método de investigação científica, artística, política e social é considerado um modo de interação entre os internos e uma forma de compreender as dimensões de suas emoções.
Enfim, o trabalho de Nise é reconhecido no Brasil e mundialmente por ter sido uma mulher além do seu tempo, que criou um ponto de mudança no que se refere aos serviços de psiquiatria no País.
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Jackson Buonocore
Sociólogo, psicanalista e escritor
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