Embora vivemos em uma cultura do espetáculo, na qual a imagem corporal é super valorizada socialmente, nada é mais angustiante ao sujeito do que se ver reduzido ao seu corpo. O que nos sustenta é o nosso discurso, ou seja, o que temos a dizer de nós mesmos, sobre nós, sobre a história que carregamos.

Todos temos a necessidade de falar e de ser ouvido, de ser visto, de ser percebido pelo outro. Repare em quantas pessoas podem começar a lhe contar a sua história de vida se você lhe der a mínima atenção seja durante um atendimento ao cliente, ao pedir uma informação, ao justificar sua ausência em algum lugar, etc..

Todos precisam falar de si.

Neste sentido nosso corpo, enquanto morada, enquanto realidade tangível e consistente pode, ao produzir um sintoma, nos escapar a tentativa de compreensão.

Na relação médico x paciente, por exemplo, o corpo ou o órgão é, muitas vezes, a terceira pessoa do qual se fala.
Referem-se ao sintoma como algo que está fora do sujeito e do qual ele precisa se livrar. Assim, fala-se do corpo como que produzindo um texto sem voz, traduzido (ou não) pelo médico.

Já na relação psicoterapêutica entre analista x analisante a fala toma corpo, isto é, o sujeito é quem se anuncia na escuta de sua voz, de seu dizer. Logo, o paciente, é, necessariamente, parte da queixa que ele traz, implica-se no sintoma que representa e significa algo.

É claro, o papel do médico é fundamental para estancar aquilo que pode sangrar, ferir e até mesmo impedir a fala. No entanto, a partir da escuta clínica, é possível conhecer e compreender como o sujeito vivencia o seu sintoma e como ele se configura no enredo da sua história. Trata-se de algo subjetivo, próprio do sujeito que fala.

Podemos dizer que o percurso do paciente durante a psicoterapia psicanalítica é o da singularização, da diferenciação e diríamos até da “customização” de seu sintoma, que deixa de se enquadrar a uma classificação genérica para ser simbolizado.

Portanto, o ser humano é mais do que seu sintoma, é um sujeito feito de emoções, de desejos e fantasias que vão muito além daquilo que é visível aos olhos. E, na falta de palavras, o sintoma se repete… Pense nisso!

Audrey Vanessa Barbosa

Psicóloga clínica de abordagem psicanalítica na cidade de Limeira-SP; possui Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas pela FCA- UNICAMP; ministra palestras com temáticas voltadas ao desenvolvimento humano. Também possui formação em Administração de Empresas e experiência na área de RH (Recrutamento & Seleção e Treinamento e Desenvolvimento).

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