SAÚDE MENTAL

O que seria o sofrimento mental?

Para a Psicanálise, a forma como a gente fala e a forma como a gente entende o nosso sofrimento transforma a nossa experiência. A maneira como a gente conta o nosso sofrimento para o outro, como a gente divide ou como a gente silencia, a maneira como a gente entende que o nosso sofrimento é um problema individual ou é um problema na nossa família ou na nossa cultura…

Tudo isso determina um entendimento de que o sintoma é no fundo um efeito, eles têm uma relação com a forma como a gente se relaciona com os outros.

Apesar dos manuais classificatórios, a cada nova versão enfatizar cada vez mais que o sofrimento é entendido como um déficit de produção de neurotransmissores, uma espécie de doença que dá no seu cérebro e que precisa ser compensado com medicações que repõem aquilo que seu corpo não está mais conseguindo produzir.

Mas o que seria mais prudente pensar, já que as origens genéticas se mostram tão indeterminadas, já que não podemos falar em etiologia nos DSM’s e as dificuldades neurológicas se constatam tão imprecisas?

O que está fazendo com que você produza tal sintoma?  O que está contribuindo para que aquela angústia apareça?  O que suas relações têm a ver com determinadas inibições? Pois bem, faz diferença a forma como você fala do que te acontece. Faz diferença como você inclui o seu sofrimento nas suas relações com o outro.

Posicione-se e procure ajuda profissional para nortear melhor questões que te cercam.

O que parece é que tanto as hipóteses genéticas ou a dos neurotransmissores, no fundo elas tornam nossos sintomas independentes da nossa vida, da nossa vida de relação.

Imagem de capa: Shutterstock/Veja

Fernanda Marchi

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Exerce a atividade clínica tendo sob orientação a abordagem psicanalítica, nas cidades de Nova Venécia e Vitória no Espírito Santo. Atua no atendimento à adolescentes e adultos, mas é no contato com o atendimento infantil, principalmente voltado ao autismo, que dedica seu trabalho clínico. Atualmente é membro da Escola Brasileira de Psicanálise em Vitória e cursa Especialização em Avaliação Psicológica pelo Instituto de Pós Graduação Ipog.

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