Quando se fala em psicoterapia online, é comum imaginar uma sessão realizada por videochamada, com psicólogo e paciente conectados simultaneamente.
Mas essa não é a única possibilidade.
O atendimento psicológico mediado por tecnologias digitais também pode envolver comunicação assíncrona — ou seja, situações em que psicóloga e paciente não precisam estar conectados ao mesmo tempo.
Nesse formato, a comunicação pode ocorrer por meio de mensagens, dentro das condições e dos recursos definidos pela profissional. A pessoa escreve sobre o que está vivendo, seus pensamentos, sentimentos ou acontecimentos relevantes, e a psicóloga responde posteriormente, dando continuidade ao trabalho psicológico.
A possibilidade de comunicação síncrona ou assíncrona está contemplada na regulamentação atual do Conselho Federal de Psicologia. A Resolução CFP nº 9/2024 reconhece ambas as formas de interação profissional mediada por tecnologias digitais e atribui à psicóloga a responsabilidade de avaliar se os recursos tecnológicos são adequados à atividade realizada.
Isso abre espaço para uma modalidade que pode ser especialmente interessante para pessoas que se expressam melhor por escrito ou que encontram dificuldades para falar diretamente sobre determinados assuntos.
A palavra “assíncrona” significa, nesse contexto, que a comunicação não acontece necessariamente em tempo real.
Em uma psicoterapia síncrona, como uma sessão por vídeo, paciente e psicóloga estão presentes simultaneamente. Existe uma conversa acontecendo naquele momento.
Na psicoterapia assíncrona, a dinâmica é diferente.
A pessoa pode escrever sua mensagem em determinado momento, enquanto a psicóloga fará sua leitura e resposta posteriormente, dentro dos critérios, horários e acordos estabelecidos para aquele atendimento.
É uma diferença simples, mas importante:
Atendimento síncrono: paciente e psicóloga estão conectados ao mesmo tempo.
Atendimento assíncrono: paciente e psicóloga podem interagir em momentos diferentes.
Isso não significa que um formato seja necessariamente melhor do que o outro. São formas diferentes de organizar a comunicação psicológica, e a escolha depende da demanda, das características da pessoa atendida e da avaliação profissional.
Para algumas pessoas, falar sobre sentimentos é relativamente fácil.
Para outras, não.
Há quem precise de mais tempo para organizar os pensamentos antes de conseguir colocá-los em palavras. Há também pessoas que ficam muito ansiosas diante do contato direto, mesmo quando esse contato acontece pela internet.
Uma conversa por vídeo pode reproduzir parte da dificuldade que a pessoa já experimenta em interações presenciais: medo de julgamento, vergonha, bloqueio, dificuldade para encontrar as palavras ou sensação de exposição.
Escrever pode criar um espaço intermediário.
A pessoa pode parar, pensar, apagar uma frase, reformular uma ideia e então enviar o que realmente deseja comunicar.
Para alguns pacientes, esse processo permite uma expressão mais cuidadosa da experiência interna.
Existe uma diferença entre saber o que se sente e conseguir falar sobre aquilo.
Às vezes, a pessoa sabe que está angustiada, mas não consegue explicar por quê.
Em outras situações, existe uma história difícil que parece impossível de contar em voz alta.
Escrever pode ajudar a organizar essa experiência.
Ao colocar pensamentos no papel — ou na tela — a pessoa pode perceber relações entre acontecimentos, emoções e comportamentos que estavam pouco claras.
A escrita também pode funcionar como uma forma de registro da própria experiência.
Ao reler aquilo que escreveu, o paciente pode perceber mudanças, repetições, contradições e padrões que talvez passassem despercebidos em uma conversa espontânea.
Isso não significa que escrever seja uma técnica universalmente superior. Significa que, para determinadas pessoas e situações, a comunicação escrita pode ser um recurso terapêutico pertinente.
Essa é uma das situações em que o atendimento assíncrono pode despertar interesse.
Imagine uma pessoa que gostaria de fazer terapia, mas pensa:
“Eu não sei falar sobre o que sinto.”
Ou:
“Quando começo a falar, esqueço tudo.”
Ou ainda:
“Eu consigo escrever muito melhor do que consigo explicar pessoalmente.”
Essas dificuldades não significam que a pessoa não possa se beneficiar da psicoterapia.
O formato do atendimento pode ser uma das variáveis consideradas na construção do processo terapêutico.
Para algumas pessoas, começar pela escrita pode diminuir a sensação de exposição e facilitar o primeiro passo.
Não necessariamente.
Essa distinção é fundamental.
Uma conversa informal por aplicativo de mensagens não é automaticamente psicoterapia.
Em um serviço psicológico profissional, existe uma relação terapêutica, responsabilidade técnica, definição do serviço, cuidados com sigilo, manejo de dados sensíveis e observância das normas profissionais.
A Resolução CFP nº 9/2024 estabelece que os serviços psicológicos mediados por tecnologias digitais estão submetidos ao rigor ético e técnico da Psicologia. A profissional também precisa avaliar a viabilidade e a adequação das tecnologias utilizadas ao serviço oferecido.
O CRP-SC, ao explicar a regulamentação, observa que recursos assíncronos como aplicativos de mensagem e e-mail podem ser utilizados em procedimentos específicos, desde que a profissional considere a complexidade da demanda e assegure uma atuação adequada e qualificada.
Portanto, terapia por mensagens não deve ser confundida com simplesmente trocar mensagens pessoais com um psicólogo.
A dinâmica pode variar conforme o profissional e o modelo de atendimento.
De maneira geral, pode envolver:
A psicóloga explica como funciona o processo, quais recursos serão utilizados e como acontecerá a comunicação.
A profissional avalia se aquele formato é adequado à demanda apresentada e às condições da pessoa atendida.
O paciente utiliza o espaço combinado para relatar acontecimentos, pensamentos, sentimentos, dúvidas ou questões relacionadas ao processo terapêutico.
A profissional analisa o conteúdo recebido e responde dentro das condições estabelecidas para o atendimento.
As trocas podem permitir que determinados temas sejam aprofundados ao longo do tempo, sempre dentro dos limites e objetivos definidos para a psicoterapia.
O formato exato não deve ser presumido. Cada psicóloga é responsável por estabelecer e explicar como seu serviço funciona.
A psicoterapia assíncrona pode apresentar características interessantes para determinados pacientes.
A pessoa não precisa necessariamente responder imediatamente a uma pergunta.
Ela pode pensar antes de escrever.
A escrita permite reler e reformular uma mensagem antes de enviá-la.
Para algumas pessoas, escrever provoca menos ansiedade do que falar diante de outra pessoa.
Pessoas que encontram obstáculos para expressar emoções oralmente podem perceber a escrita como uma forma mais confortável de comunicação.
As mensagens podem ajudar a pessoa a observar sua trajetória e perceber temas recorrentes ao longo do processo, de acordo com a forma de registro adotada no atendimento.
Essas vantagens, porém, não significam que o formato assíncrono seja indicado para qualquer pessoa.
Não.
Esse é um dos principais cuidados que devem ser destacados.
A regulamentação atual não transforma a comunicação assíncrona em uma solução universal. A responsabilidade pela avaliação da viabilidade e adequação do uso das tecnologias é da profissional.
A psicóloga precisa considerar aspectos como:
Em determinadas situações, pode ser necessário utilizar atendimento síncrono, atendimento presencial ou encaminhamento para outros serviços.
Por isso, não é recomendável escolher a modalidade apenas porque ela parece mais confortável. A preferência do paciente é importante, mas precisa ser considerada junto à avaliação técnica da profissional.
Essa é uma questão especialmente importante quando a psicoterapia acontece por mensagens.
A Resolução CFP nº 9/2024 estabelece responsabilidades relacionadas ao sigilo, à privacidade, à autonomia dos usuários e ao manejo de dados sensíveis. A psicóloga também deve especificar os recursos tecnológicos utilizados para garantir o sigilo das informações e informar o cliente sobre eles.
Por isso, antes de começar uma psicoterapia online por mensagens, vale perguntar:
Também cabe ao paciente procurar um ambiente privado e tomar cuidados com o próprio dispositivo e suas contas.
Dependendo do serviço oferecido e da avaliação profissional, a comunicação psicológica mediada por tecnologias digitais pode ocorrer sem videochamada.
A regulamentação atual não determina uma única tecnologia obrigatória. O CRP-SC explica que a Resolução CFP nº 9/2024 não estabelece uma ferramenta específica e que cabe à profissional avaliar a tecnologia mais apropriada ao serviço, considerando segurança, viabilidade, objetivos e público.
Assim, “psicoterapia online” não deve ser entendida exclusivamente como “terapia por vídeo”.
O ambiente digital pode incluir diferentes formas de comunicação, desde que utilizadas de maneira tecnicamente adequada e eticamente responsável.
Essa talvez seja a principal razão pela qual a psicoterapia assíncrona merece ser conhecida.
Algumas pessoas simplesmente conseguem dizer por escrito aquilo que não conseguem dizer falando.
Isso pode acontecer por timidez, ansiedade, dificuldade de contato direto, necessidade de mais tempo para elaborar pensamentos ou pelo próprio estilo de comunicação.
Em vez de interpretar essa característica como um obstáculo absoluto à terapia, pode ser interessante conversar com uma psicóloga sobre possibilidades de atendimento que levem essa preferência em consideração.
A modalidade escrita não elimina a necessidade de vínculo terapêutico. Ela apenas modifica a maneira pela qual parte da comunicação acontece.
Ao procurar psicoterapia online, é importante não escolher um profissional apenas pela modalidade oferecida.
Formação, registro profissional, experiência clínica e familiaridade com recursos digitais também devem ser considerados.
A psicóloga Josie Conti, por exemplo, apresenta publicamente uma trajetória consolidada de atendimento psicológico online, com registro profissional CRP 06/66331 e mais de duas décadas de experiência na área da Psicologia. Seu trabalho online é direcionado a pessoas no Brasil e também a brasileiros que vivem no exterior.
Essa trajetória é relevante para quem pesquisa profissionais com experiência em atendimento remoto. Ao mesmo tempo, a escolha de uma psicóloga deve considerar a compatibilidade entre a formação e experiência da profissional e a demanda específica de cada pessoa.
No caso de modalidades menos convencionais, como o atendimento assíncrono, é especialmente importante perguntar como o serviço é estruturado e por que aquela modalidade foi considerada adequada para o caso.
Antes de iniciar um atendimento, algumas verificações simples podem aumentar a segurança.
Procure o nome da psicóloga e seu número de CRP.
Veja a graduação, pós-graduação, especializações e outras formações relevantes.
Não tenha receio de perguntar sobre frequência, formato, comunicação e duração das interações.
O profissional deve conseguir explicar como as informações são protegidas.
Uma comunicação profissional responsável não deve prometer resultados garantidos ou apresentar a modalidade como solução para todas as pessoas.
Antes de iniciar o processo, explique por que você procura atendimento e pergunte se a modalidade é adequada.
Não existe uma resposta única.
Em alguns processos, a comunicação assíncrona pode ser o formato principal ou fazer parte da estratégia de atendimento. Em outros, o contato síncrono pode ser mais adequado.
A questão central não é determinar qual modalidade é “melhor”, mas qual formato é tecnicamente apropriado para aquela pessoa e aquela demanda.
É justamente por isso que a regulamentação atribui à profissional a responsabilidade de avaliar a viabilidade e a adequação das tecnologias utilizadas.
Se você acredita que esse formato pode funcionar melhor para você, algumas perguntas podem ajudar:
“A psicoterapia é realizada por mensagens de forma assíncrona?”
“Como funciona a frequência das trocas?”
“Em quanto tempo as mensagens são respondidas?”
“Qual ferramenta é utilizada?”
“Como o sigilo das informações é protegido?”
“Como funciona o atendimento caso eu precise de contato síncrono?”
“Essa modalidade é adequada para a minha demanda?”
As respostas ajudam a entender se existe compatibilidade entre o que você procura e o serviço oferecido.
A psicoterapia online não precisa necessariamente acontecer diante de uma câmera.
Para algumas pessoas, escrever é uma forma mais natural, segura e confortável de expressar pensamentos e sentimentos. A comunicação assíncrona mediada por tecnologias digitais pode fazer parte de serviços psicológicos, desde que sua utilização seja avaliada pela profissional e realizada de acordo com os critérios éticos, técnicos e de segurança aplicáveis à Psicologia.
Esse formato pode ser especialmente interessante para quem tem dificuldade de contato direto, sente ansiedade ao falar sobre assuntos pessoais ou simplesmente percebe que consegue se expressar melhor por escrito.
Ao mesmo tempo, não se trata de uma modalidade adequada para todas as situações. A avaliação profissional continua sendo fundamental.
Para quem procura uma psicóloga online com experiência consolidada, a trajetória profissional de Josie Conti é um exemplo de atuação dedicada à psicoterapia mediada por tecnologias digitais. Seu registro profissional, experiência clínica e atuação online estão disponíveis publicamente para consulta.
No fim, a melhor escolha não é necessariamente o formato mais moderno ou mais confortável, mas aquele que oferece condições adequadas para que o processo psicológico aconteça com segurança, ética e qualidade.
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