Você procura ser perfeccionista nas tarefas que executa? Chega a checar e rechecar seus trabalhos antes de entregar? Demora para executar as atividades e tem dificuldades de delegar tarefas para seus liderados ou filhos porque teme que eles não as aexecutem da forma como você faria?

Se suas respostas foram afirmativas, é muito provável que seu perfeccionismo esteja o levando para caminhos tortuosos. Enquanto nos são exigidos altos níveis de performance, o perfeccionismo excessivo pode nos causar muitos prejuízos e até comprometer nossa capacidade de realizar coisas. O perfeccionismo pode ser um padrão cognitivo e comportamental mal adaptativo, que faz com que a pessoa perceba e se comporte de forma inadequada.  Quais são, então, os riscos de ser uma pessoa perfeccionista?

Baixa autoestima e frustração são problemas comuns aos perfeccionistas. Essas pessoas tendem a associar seu desempenho com sua identidade. Ao invés de compreender apenas que seu desempenho não foi tão bom e que precisa melhorar, essas pessoas acreditam que o problema está na maneira de ser. Se não conseguem a perfeição no que fazem (convenhamos que perfeição é uma meta complicada de se atingir!), consideram-se automaticamente incompetentes, fracassados e sem importância.

Ansiedade e procrastinação são outros riscos muito comuns. O perfeccionista não apenas teme fervorosamente o fracasso como antecipa essa experiência. Por acreditar que não vai conseguir executar as atividades como acha que deveria fazer, o perfeccionista experimenta muita ansiedade antes de certos desafios. Muitas vezes, a ansiedade e o medo de fracassar são tão expressivos que a pessoa evita passar pela situação e acaba estagnada na procrastinação.  

Falta de criatividade e flexibilidade também fazem parte do perfil do perfeccionista. Pela necessidade de manter o controle da situação para garantir que os resultados saiam da forma que desejam, os perfeccionistas não se utilizam da criatividade e flexibilidade para lidarem com mudanças e com os novos desafios. Essas situações podem paralisá-los, mesmo que sejam potencialmente positivas e eles tenham as habilidades e expertise para lidar com elas.  Essa característica do perfeccionsista dificulta seu crescimento, sobretudo profissional, uma vez que o impede de ampliar seu repertório comportamental e ser bem sucedido em situações críticas e conflituosas.

A necessidade de manter o controle da situação pode ser um problema ainda maior para os líderes, uma vez que torna a delegação de tarefas uma atividade árdua e às vezes impossível. Além disso, a cobrança exagerada que o perfeccionista faz consigo mesmo tende a ser a mesma com os liderados, o que pode comprometer a qualidade das relações interpessoais e minar a satisfação e motivação destes e consequentemente seus desempenhos.

Procurar fazer o melhor possível no que é demandado é algo primoroso e deve ser cultivado. Entretanto, essa busca não deve ser excessiva a ponto de comprometer a autoconfiança e o desempenho do indivíduo.  

Maíra Mendes dos Santos

Psicóloga, coach, master practitioner em PNL, especialista em psicopatologia clínica, mestre em ciências, doutora em saúde coletiva e sócia-proprietária da Onmental Espaço Terapêutico

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