COMPORTAMENTO

Por mais que você faça, nunca terá feito o bastante para algumas pessoas

Viver sempre será uma jornada cheia de surpresas, algumas boas, outras nem um pouco. Dentre tantas coisas imprevisíveis e inesperadas que teremos pela frente, lidar com a ingratidão será uma constante em nossa caminhada. Seremos, muitas vezes, reconhecidos pelo bem que fizermos e pelas ajudas que oferecermos, porém, também colheremos muita ingratidão de pessoas que se esquecerão de tudo o que já tivermos feito por elas.

Talvez seja apenas um senso comum, mas parece que, quanto mais fácil as coisas chegam às pessoas, menos elas se tornam capazes de agradecer e de reconhecer o quanto são felizes. Infelizmente, muitas pessoas se acostumam a ter seus desejos atendidos, a ver os outros agindo em seu favor e, quando isso não acontece, acabam se desesperando. Habituam-se a serem atendidas, a receberem ajuda prontamente, sem esperar. Recusam-se a ouvir “não”, pois não aprenderam a lidar com isso.

Mal sabem o quanto a gratidão é benéfica, o quanto agradecer ilumina, renova, cura e salva, tornando-nos melhores e mais esperançosos. A ingratidão, por seu turno, equivale a uma ausência de fé, de sonhos, de esperanças, porque quem só espera do outro é incapaz de se amar, de perceber o quanto é capaz de evoluir e de conquistar o que se quer por seus próprios méritos. É como se a pessoa não se reconhecesse merecedora de nada, capaz de nada, sempre necessitando que alguém faça a parte dela.

É necessário ter a consciência de uma coisa que ninguém poderá fazer por nós: a nossa parte. Sempre que uma pessoa estiver deixando de cumprir com o que lhe cabe, estará sobrecarregando alguém que, além das próprias atribulações, ainda terá que cobrir a falta do outro. A vida funciona assim como em uma equipe: cada um é encarregado de certos afazeres que, se negligenciados, serão feitos por outra pessoa, que acumulará o que não é seu.

Como se vê, uma das melhores atitudes que poderemos tomar será não esperarmos gratidão por tudo o que fizermos. Embora nos faça bem ter nossas ações reconhecidas, ajudar é o que realmente importa, uma vez que nos sentimos muito mais gente enquanto oferecemos o nosso melhor às pessoas. Sempre estaremos felizes ao ajudar nossos semelhantes, sejamos ou não reconhecidos, afinal, o que importa é se sentir bem consigo mesmo – o que vier lá de fora é lucro.

Imagem de capa: Robert Kneschke/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

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