A psicologia, desde sua origem, carregou o peso do estigma e da desvalorização. Quem escolhia fazer psicologia era porque tinha problemas psicológicos, e queria se tratar, ou porque não era bom o bastante para passar em medicina. Eu faço parte da inúmera lista de pessoas que sofreram com a pressão social, principalmente da família, em relação à escolha de ser psicólogo. “Psicologia não dá dinheiro!” ” Tem certeza que não quer fazer direito ou medicina?” “Psicologia é hobbie e não profissão”.

Eis que as forças socioculturais giraram a favor da ciência mais importante para a compreensão do comportamento humano e ela se torna peça preciosa na sociedade contemporânea. Estamos em uma era em que a medicina e os fármacos não dão conta do sofrimento humano e não oferecem o bem-estar e a felicidade tão desejados. Com todos os avanços tecnológicos, vivemos em uma sociedade em que a depressão é a segunda causa de morbidade, com previsão de ser a primeira até 2020.

Vivemos em uma sociedade, que mesmo com todas as promessas de felicidade no estilo “express”, que podem ser adquiridas pelas pílulas da felicidade e pela variedade de alimentos ou outros bens de consumo, as pessoas sucumbem pela falta de sentido de vida e perdem a motivação para seguirem em frente. Essa mesma sociedade da apologia à felicidade “a qualquer custo” cobra do ser humano que seja bem-sucedido e realizado, de modo que qualquer resultado diferente disso é sentido como fracasso. Diante desses fenômenos socioculturais, a psicologia (clínica) surge como uma possibilidade especial de acolher as dores do ser humano, ressignificá-las e devolver-lhe o propósito de vida.  

Além disso, no mundo organizacional descobriu-se que mais importante que o quociente intelectual (QI) e a expertise técnica, o colaborador necessita ter inteligência emocional, de forma a saber gerenciar suas emoções para lidar positivamente com as pessoas. Nesse contexto, entra a poderosa psicologia para ajudar as pessoas a amadurecerem emocionalmente e desenvolverem habilidades sociais saudáveis em direção ao sucesso profissional.

Por tudo isso, a psicologia pode e deve ser considerada uma carreira promissora. Ela está em todos os lugares que o ser humano está. Tem, em um processo lento e árduo, ganhado cada vez mais espaço. Com a mesma dinâmica, as pessoas têm se mostrado mais abertas a falarem sobre suas dores e anseios e procuram mais pela psicoterapia. Então, se você ama a psicologia e a ideia de cuidar das pessoas, e estava em dúvida sobre seguir a profissão por conta de mercado de trabalho; ou se você se formou em psicologia e está atuando em outra área por acreditar que a psicologia não dá dinheiro, convido vocês a repensarem e decidirem fazer o que amam, com a possibilidade de serem bastante recompensados por isso.

Imagem de capa: Shutterstock/Chernishev Maksim

 

Maíra Mendes dos Santos

Psicóloga, coach, master practitioner em PNL, especialista em psicopatologia clínica, mestre em ciências, doutora em saúde coletiva e sócia-proprietária da Onmental Espaço Terapêutico

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