O ser humano, desde seu nascimento, é atravessado por uma falta. Seu primeiro elo de ligação com o mundo, de quem espera preencher esta falta é a sua FAMÍLIA.

Ao longo dos tempos a família, a infância e as relações entre pais e filhos foram se transformando, com novas formas de serem geridas e novos costumes adquiridos. Podemos pensar que não existe uma ideia “natural” de família. A família também é uma construção humana, influenciada por aspectos culturais, econômicos, sociais, religiosos e pelas condições psicológicas de seus membros.

As relações familiares têm um modo de funcionamento próprio, onde cada um é encarregado de cumprir diferentes papéis, sendo importante considerar a compreensão que temos do papel que desempenhamos no nosso núcleo familiar.

Existe, assim, um desejo fundamental que acompanha estas relações. O desejo, por exemplo, dos pais em assumir este papel (ser pai e mãe) e estar no lugar de cuidador, o desejo em participar da vida de alguém, de compartilhar momentos juntos, de dividir responsabilidades.

A maneira como os pais estão direcionando seu olhar e seu desejo é fundamental para o desenvolvimento e constituição psíquica dos filhos, considerando que aqueles que apresentam o mundo a alguém servirão como espelho na estruturação de sua condição humana.
É muito importante refletir sobre importância do afeto cultivado nas nossas relações familiares e dos limites e valores que serviram de alicerce para o nosso desenvolvimento.

Como percebo minha família? Que família é esta de onde eu venho e da qual eu falo?

A minha família não é apenas isto que está presente no meu discurso e palavras, mas está presente nos meus sintomas e na minha personalidade, pois sou parte das expectativas, desejos e frustrações dos meus pais e também dos recursos internos que utilizei para corresponder (ou não) à minha demanda familiar.

A psicanálise compõe um método que nos possibilita investigar como as relações familiares influenciam na formação das subjetividades, dos sintomas e das neuroses atuais, e se apresenta como um meio de intervir nos conflitos construídos e na tentativa de compreender e ressignificar a história familiar que está sendo contada a partir da falta que o paciente tanto almeja preencher.

Não esquecendo que somos frutos da história de nossas famílias, mas isso não impede que sejamos protagonistas da nossa história!

Audrey Vanessa Barbosa

Psicóloga clínica de abordagem psicanalítica na cidade de Limeira-SP; possui Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas pela FCA- UNICAMP; ministra palestras com temáticas voltadas ao desenvolvimento humano. Também possui formação em Administração de Empresas e experiência na área de RH (Recrutamento & Seleção e Treinamento e Desenvolvimento).

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