Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade em adultos: o que é preciso saber.

Muito se fala de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças. Trata-se de um dos grandes responsáveis pela dificuldade de aprendizado e, portanto, mais fácil de ser identificado nas escolas.  Mas se o TDAH acometer um adulto? Os sintomas são os mesmos? Como identificar? A despeito do prejuízo que esse transtorno pode causar na vida de um adulto, pouco se discute sobre essa problemática nessa população. Estudos apontam que 4,4% dos adultos, em todo o mundo, preenchem os critérios diagnósticos para esse transtorno, com a mesma proporção entre homens e mulheres.

Os critérios diagnósticos de TDAH  para os adultos são teoricamente os mesmos da população infantil, mas a forma de manifestação dos sintomas costuma ser diferente, o que pode tornar mais difícil o diagnóstico. O tripé ‘Desatenção, impulsividade, hiperatividade’ também está presente entre os adultos, sendo a desatenção predominante em relação à hiperatividade.

Adultos com TDAH costumam ter prejuízos na capacidade de planejamento, organização e  execução de tarefas. Este comprometimento comumente reflete na dificuldade em terminar tarefas no prazo determinado, em cumprir horários, em lembrar de de tarefas planejadas, etc. Devido a essas características, o TDAH pode acarretar prejuízos nas relações interpessoais, seja no trabalho ou no casamento. É comum que a pessoa com TDAH seja vista como alguém que não honra compromissos e não se importa com as necessidades dos outros.

A falta de controle emocional também é uma característica do transtorno. Muitos adultos com TDAH são explosivos diante de situações simples e corriqueiras. Eles costumam sentir que não conseguem ter controle emocional, reagindo muitas vezes de forma agressiva. É muito comum, pela falta de conhecimento do transtorno, a pessoa atribuir essas dificuldades como parte de sua própria personalidade e, portanto, como algo sem solução. Tal fato limita a pessoa de buscar uma avaliação diagnóstica e tratamento, comprometendo a autoestima e autoconfiança.

A falta de tratamento tende a levar a automedicação, que pode refletir, por sua vez, no abuso e dependência de drogas, o que piora o prognóstico e aumenta os prejuízos na saúde mental e na vida social. As comorbidades com TDAH são muito comuns. Aproximadamente 75% dos adultos com esse transtorno apresentam mais de uma comorbidade, sendo as mais comuns, depois da dependencia química, a  depressão, ansiedade, compulsão alimentar e distúrbios do sono.

O TDAH pode trazer consequencias mais sérias na vida adulta do que muitos acreditam. A notícia boa é que esse transtorno tem tratamento e pode ser altamento controlado. Para isso, o diagnóstico precoce é muito importante a fim de evitar a cronicidade do quadro psiquiátrico e os projuízos a ele relacionados.

Maíra Mendes dos Santos

Psicóloga, coach, master practitioner em PNL, especialista em psicopatologia clínica, mestre em ciências, doutora em saúde coletiva e sócia-proprietária da Onmental Espaço Terapêutico

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