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“Minha amiga me decepcionou”!

Todos nós temos aspectos luminosos e sombrios, possibilidades e limites em cada relacionamento. A decepção pode surgir a partir de uma traição (“Minha melhor amiga seduziu meu namorado”!), da quebra de confiança (“Contei um segredo muito íntimo e ela espalhou para toda a turma, morri de vergonha e de raiva daquela fofoqueira”!), da mudança de papéis (“Meu amigo passou a ser meu chefe e se mostrou grosseiro como eu nunca o tinha visto”) ou da quebra de expectativa (“Quando eu fiquei na pior e precisava de apoio, ela simplesmente desapareceu”).

Porém, a decepção também surge a partir de expectativas irreais que criamos e que a pessoa não tem condições de preencher. Nem sempre seremos acolhidos, ouvidos e compreendidos como gostaríamos. Nem sempre os outros (amigos, companheiros, pessoas da família) estão disponíveis quando precisamos expor problemas e desabafar mágoas.

E, então, quando nossas expectativas não são preenchidas, nos decepcionamos. Principalmente quando só prestamos atenção ao que não recebemos e nem percebemos o que está sendo oferecido dentro dos limites e possibilidades de cada um.

Outra fonte de decepção é esperar que os outros façam por nós o que fazemos por eles. Pessoas muito solícitas, sempre prontas para alterar suas prioridades e atender às demandas de quem precisa de carinho e atenção nem sempre receberão o mesmo quando estiverem em situações difíceis.

No terreno amoroso, a paixão altera nossa percepção. As qualidades da pessoa amada são realçadas (ou só existem em nossa imaginação) e as dificuldades são minimizadas ou nem sequer percebidas. É terreno fértil para criar expectativas que não poderão ser preenchidas e resultarão em decepção e frustração, quando a realidade do convívio superar a ilusão (“Meus amigos tentaram me alertar, mas eu estava cego de paixão”). Carências derivadas de relacionamentos anteriores também contribuem para criar altas expectativas (“Eu esperava que ele fosse marido, pai, irmão, amigo, enfim, tudo para mim”) que nenhum ser humano poderá satisfazer.

Imagem de capa: Shutterstock/Marcos Mesa Sam Wordle

Maria Tereza Maldonado

É Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-RIO, onde lecionou no Departamento de Psicologia. É membro da ABRATEF (Associação Brasileira de Terapia Familiar). Tem mais de 40 livros publicados sobre relações familiares, desenvolvimento pessoal e construção da paz, com mais de um milhão de exemplares vendidos.

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