A reflexão é o exame apurado e não ansioso visando o conhecimento da base de nossas ações. É o dobrar-se sobre si para pensar as próprias ideias e daí extrair informações que nos ajudem a desenvolver consciência sobre como, porque e para que pensamos e agimos.

Mas, apesar do valor da reflexão e da recompensa quase óbvia para o crescimento de quem a pratica, vivemos imersos em opiniões banais, em visões superficiais alimentadas por ideias costumeiras e opiniões não revistas.

O fato é que vivemos num mundo marcado pela irreflexão.

O filósofo Antonin Sertillanges atribuía grande peso à reflexão e defendia que o ato de refletir funciona como um filtro em que a verdade deposita seu melhor conteúdo.

Sertillanges dizia da necessidade de que cada um fosse capaz de ‘aprender a confrontar o que se apresenta aos olhos com visões que ultrapassem as ideias costumeiras, sob a pena de se tornar um espírito banal’.

Filósofos e psicólogos dizem que as ações refletem nossa capacidade de pensar e o nível de consciência que temos da realidade. Para eles, fora do círculo da reflexão, mergulhamos na ilusão ou ficamos ilhados no conhecimento incompleto ou superficial.

Não é que se pretenda eliminar o valor das ilusões. Todos nós precisamos de algum nível de crença intuitiva sobre a vida; precisamos criar imagens inspiradoras que suavizem as arestas da existência.

A questão é que muitos vivemos imersos na rotina, no costume, no preconceito ou na emoção momentânea e por isso, agimos e firmamos posições, movidos pelo imediatismo, pelo deslumbramento ou pela rejeição.

E nesse quadro, a irreflexão, em seu típico reducionismo, alimenta pensamentos, ações e afetos empobrecidos, portanto, vividos pela metade.

Vivemos esquecidos de que pelo esforço reflexivo superamos visões rasas, desvelamos cortinas que ofuscam a capacidade de discernir e julgar de modo criterioso. Pagamos um alto preço: o empobrecimento de nosso potencial e em consequência de nossas ações.

E não são as ações que vão definindo o próprio destino?

A palavra destino é carregada de significados míticos, suscita receios e seduções. Pensamos no destino como algo alienado de nós mesmos, como fruto da sincronicidade própria do aleatório da sorte ou da magia dos sortilégios.

Ocorre que o destino é construção cotidiana, portanto, a melhor sorte prefere visitar aqueles cujas ações são iluminadas pelo ato da reflexão.

Liduína Benigno Xavier

Psicóloga, Mestre em Educação, formação em Facilitação de Processos humanos nas organizações, a escritora é consultora organizacional há mais de vinte e cinco anos; É autora do livro: Itinerários da Educação no Banco do Brasil e Co-autora do livro: Didática do Ensino Corporativo - O ensino nas organizações. Mantém o site: BlogdoTriunfo que publica textos autorais voltados ao aperfeiçoamento pessoal dos leitores e propõe reflexões que ajudam o leitor a formar visão mais rica de inquietações impactantes da existência.

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